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27/08/2009

No subúrbio de Tóquio, eleições legislativas opõem herdeiro do clã local à jovem de origem modesta

Le Monde
Philippe Mesmer Em Tóquio
As eleições legislativas de 30 de agosto no Japão já estão sendo anunciadas como históricas. O Partido Liberal Democrata (PLD), no poder há décadas, deve ser derrotado. O país poderá passar para as mãos do principal partido de oposição, o Partido Democrata do Japão (PDJ). Enquanto isso, a campanha continua dando lugar a debates que revelam o desejo de mudança dos japoneses. No 11º distrito da província de Kanagawa, na parte sul da baía de Tóquio, ela opõe o herdeiro do clã local, sustentado por poderosas redes, ao terceiro filho de uma família modesta.

O herdeiro é Shinjiro Koizumi. Segundo filho de Junichiro Koizumi, chefe do governo entre 2001 e 2006, ele faz campanha pelo PLD. Para esse jovem de 28 anos de sorriso devastador, a campanha deveria ser só uma formalidade.

A oposição favorita para as eleições legislativas

A campanha para as eleições legislativas de 30 de agosto no Japão se aproxima do fim. Os 1.374 candidatos aproveitam essas últimas horas para tentar convencer os 100 milhões de eleitores a lhes concederem uma das 480 cadeiras da Câmara Baixa. As pesquisas de opinião apontam o principal partido de oposição, o Partido Democrata do Japão (PDJ), como o grande vencedor das eleições. Segundo um estudo da agência Kyodo, o PDJ poderá obter 300 cadeiras, contra as 112 na Assembleia atual. Vencedor, ele colocaria fim ao reinado quase ininterrupto desde 1955 do Partido Liberal Democrata (PLD). Dentro do PLD, hoje dirigido pelo atual primeiro-ministro Taro Aso, a resignação parece necessária. Em 25 de agosto, o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, chegou a mencionar a possibilidade de um "maremoto do PDJ".



Aqui, estamos no domínio dos Koizumi, e Shinjiro "o herdeiro" tem o dever de ocupar a cadeira desse distrito, como seu pai, seu avô e seu bisavô o fizeram antes dele. Ele a herdou oficialmente em setembro de 2008. Seu pai, entretanto, conhecido por ser crítico das velhas práticas políticas, a transmitiu após tê-la ocupado durante 12 mandatos.

No entanto, diante dele, o "botchan" (filho de rico), como é chamado no Japão, tem um verdadeiro morto de fome. Katsuhito Yokokume, 27, filho de um caminhoneiro, formado em Direito pela prestigiosa Universidade de Tóquio, quer pôr um fim ao sistema PLD, em geral, e abater o clã Koizumi, mais especificamente.

"Desde que nasci o PLD está no poder", argumenta esse nativo da região de Nagoya, no centro do Japão. "O PLD é a conspiração entre os burocratas e o mundo dos negócios. Ele não se preocupa nem um pouco com o povo". Seu discurso é tão animado quanto seu sorriso é fácil, entusiasmado e decidido. Jovem, descabelado, o rapaz que entrou para o PDJ em setembro de 2008 se voluntariou imediatamente para enfrentar os Koizumi.

Ele sabe cultivar sua oposição ao "botchan" e se preocupa em "economizar": usa gravatas de 100 ienes (menos de R$ 2) e faz campanha de bicicleta. No opressor calor de verão, e apesar da extensão de um distrito de 420 mil habitantes que abriga a base naval americana de Yokosuka e várias fábricas de grupos como Nissan ou Toshiba, ele avança cerca de 50 quilômetros por dia. Para financiar sua campanha, trabalhou como advogado durante um ano. Yokokume também apela para os visitantes de seu website, que podem fazer doações online.

Origens modestas
Sua energia, suas origens modestas e sua participação em um programa de televisão popular, onde todos o chamavam de Sori (primeiro-ministro), lhe permitiram construir uma fama que ultrapassa os limites do distrito.

Ficar conhecido era indispensável. "Para alguém como eu", explica, "entrar para a política era uma missão quase impossível. Meus pais não tinham interesse, e eu não conhecia ninguém no meio".

Hoje, tudo parece dar certo para ele. Até a gripe A, que ele contraiu no início de agosto, elevou seu capital de simpatia. Fiel a seus objetivos, soube cristalizar em sua pessoa o descontentamento dos japoneses quanto à questão dos herdeiros na política, uma das principais reclamações contra o PLD: um em cada três candidatos apresentados pelo PLD é um "herdeiro" - contra um em cada dez para o PDJ.

Shinjiro Koizumi está ciente do problema. Aos críticos, responde se esforçando para cultivar uma imagem de proximidade. Ele pediu a seu pai que não interviesse no distrito durante a campanha e lembra que é um local, apaixonado pelo surf, cujo único objetivo é "criar um Japão melhor".

Ele continua sendo favorito nas eleições. Mas sabe que o trabalho de Yokokume está compensando. Os apoios do candidato do PDJ aumentam e se diversificam. "No início, ele só interessava aos jovens", observa um membro de sua equipe. "Mas seu trabalho de campo e seu programa, concreto e focado na vida quotidiana, atraem a simpatia das pessoas mais idosas". Talvez isso não seja suficiente para derrubar o clã Koizumi. Mas já o é para abalá-lo.

Tradução: Lana Lim

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