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01/09/2009

A Líbia, um mercado cobiçado pelas empresas estrangeiras

Le Monde
Jean-Michel Bezat
Existe a moral política e existem os negócios. A volta da tensão entre a Líbia e a comunidade internacional na sequência da libertação antecipada de Abdelbaset Ali Mohammed al-Megrahi, em 20 de agosto, e de sua volta triunfal a Trípoli no dia 21, não deveria afetar os investimentos estrangeiros - especialmente os franceses - nesse país. Desde a retirada do embargo pela ONU, em 2003, voltaram as trocas comerciais com esse país decidido a financiar grandes infraestruturas com suas receitas petroleiras.
  • Behrouz Mehri/AFP

    O presidente da França, Nicolas Sarkozy (à esq.) recebe o presidente da Líbia, Muammar Gadaffi,
    no Palácio Elysse, em Paris (dezembro de 2007)



O país dispõe de um potencial que o torna atraente. Com 43 bilhões de barris de petróleo, ele detém as principais reservas da África, à frente da Nigéria. Elas têm a vantagem de estarem próximas do mercado europeu. Com o intuito de aumentar o fluxo de petrodólares, Trípoli pretende passar sua produção diária de 1,8 a 3 milhões de barris em 2013 - o nível de 1970 antes da nacionalização do setor petroleiro - para um investimento de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 81 bilhões).

A julgar pela lista de dezenas de companhias ocidentais, russas e indianas que operam na Líbia (Exxon Mobil, Shell, BP, ENI, Gazprom, ONGC...), não há dúvidas sobre a vontade que os petroleiros têm de superar os obstáculos políticos, financeiros e burocráticos. A Total, que produz na Líbia 12% de seu petróleo africano, renovou recentemente seus contratos até 2032, e a BP fechou com Trípoli um de seus maiores projetos de exploração de petróleo.

O plano 2008-2012 de grandes infraestruturas também atraiu companhias estrangeiras de outros setores (construção civil, ferroviário, hoteleiro, energia). Trípoli de fato pretendia investir US$ 75 bilhões nesse plano (turismo, energia, moradia, hospitais, estradas, dessalinização da água, ferrovias, portos), antes de reduzir suas ambições em razão do recuo do preço do petróleo desde seu recorde (US$ 147,50) de julho de 2008, da falta de mão-de-obra e do custo dos materiais importados.

Pressões físicas
A Líbia continua a suscitar grandes relutâncias quando se trata de investimentos delicados, como o da energia nuclear. Ao mencionar, em julho de 2007, a venda de reatores (no momento da libertação das enfermeiras búlgaras), Nicolas Sarkozy suscitou críticas dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores. O grupo nuclear Areva não é favorável à venda, e prefere se limitar à prospecção de urânio no sul do país.

As empresas também estão sujeitas ao peso da administração e a desagradáveis surpresas fiscais. Quando a pressão não se exerce fisicamente sobre alguns de seus executivos: em 2007, o representante líbio do grupo petroleiro russo Loukoil foi preso por espionagem em plena negociação de contrato antes de ser libertado em 2008. Imprevisível, o coronel Gaddafi também pode ameaçar, pela boca de deputados que lhe são favoráveis, nacionalizar as companhias petroleiras estrangeiras, como fez no início de 2009.

Em sua última nota sobre a Líbia (junho de 2009), o Fundo Monetário Internacional (FMI) saúda índices "fundamentais" (crescimento, inflação...), a saída progressiva da economia líbia da dependência do petróleo e de "notáveis progressos" em cinco anos de privatização dos bancos, a unificação do orçamento ou o incentivo ao setor privado. A Líbia também se aproveitou da frágil exposição de seu sistema bancário à crise financeira e à composição da carteira da Libyan Investment Authority (LIA). Os ativos líquidos do Banco Central e da LIA, segundo o FMI, chegam a US$ 136 bilhões.

"O principal desafio é manter o ritmo das reformas em andamento que visam, entre outras coisas, reduzir o tamanho do Estado", disse recentemente seu diretor-geral Dominique Strauss-Kahn. Os esforços líbios continuam sendo insuficientes, avalia o FMI, que convida Trípoli a "reforçar o marco regulatório para melhorar o clima dos negócios".

Tradução: Lana Lim

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