UOL Notícias Internacional
 

01/09/2009

Debate agitado no parlamento iraniano para a apresentação do governo

Le Monde
Marie-Claude Decamps
O voto de confiança do parlamento iraniano para os ministros apresentados pelo presidente Mahmud Ahmadinejad só ocorrerá na terça ou quarta-feira, mas desde o início das audiências, no domingo (30), os debates causam grande agitação. O parlamento é dominado por conservadores, mas dentro de seu próprio campo Ahmadinejad está longe de contar com unanimidade.

Há vários dias o presidente do parlamento, Ali Larijani, muito próximo do Guia Supremo Ali Khamenei - e velho adversário de Ahmadinejad, principalmente sobre o modo de administrar a questão nuclear -, havia feito uma advertência: "Há necessidade de gente competente. Os ministérios não são lugares de aprendizado".
  • Behrouz Mehri/AFP

    O parlamento é dominado por conservadores, mas dentro de seu próprio campo Ahmadinejad está longe de contar com unanimidade e pode ter dificuldades para aprovar seu gabinete


Mas segundo a opinião de todos os comentaristas Ahmadinejad parece ter privilegiado "a fidelidade" à competência, escolhendo preferencialmente personalidades originárias das milícias paramilitares e dos serviços secretos, nódulos duros sobre os quais ele apoia seu poder.

Imediatamente a reação parlamentar foi palpável mesmo antes dos debates. Ahmadinejad quis oferecer um "iftar" (jantar de término do jejum do Ramadã) em 23 de agosto, mas só 20 deputados de um total de 290 haviam aceitado o convite.

Depois, seu discurso explicando as nomeações de domingo foi recebido por uma revoada de críticas. "Dezesseis ministros não têm qualquer experiência nos ministérios que devem dirigir", declarou o deputado conservador Ahmad Tavakoli.

Entre as opções mais problemáticas estão as de Ahmad Vahidi, procurado pela Interpol, para o Ministério da Defesa; de Massoud Mir Kazemi, muito inexperiente, para o Ministério do Petróleo; ou de Mostafa Mohammad Nadjar, um general dos Guardiães da Revolução, para o Ministério do Interior. Até as três mulheres - um fato inédito, que seria uma "abertura" - previstas para a Saúde e os Assuntos Sociais representam um problema, desta vez junto aos fundamentalistas próximos de Ahmadinejad, que consideram a escolha "inconveniente".

Equilíbrios sutis
Essas críticas ocorrem no momento em que outros equilíbrios, mais sutis, no seio do poder estão sendo modificados. A recente nomeação pelo Guia de Sadegh Larijani (irmão de Ali) para a chefia do Poder Judiciário foi interpretada como um freio ao predomínio dos amigos de Ahmadinejad sobre a Justiça. Principalmente através da atividade, muitas vezes "fora de padrão", do procurador de Teerã, Said Mortazavi.

Esse antigo membro das milícias bassidjis, originário da longínqua província de Yazd, fez renome em abril de 1998 quando era presidente do tribunal 1410, especializado em queixas contra a imprensa: em dois dias ele mandou fechar cerca de 30 jornais e prender dezenas de jornalistas. Tornou-se procurador de Teerã e se especializou na descoberta de casos de "espionagem". Em julho de 2003 ele conduziu durante três noites seguidas a instrução da fotógrafa iraniano-canadense Zarah Kazemi, que morreu na prisão depois de ser selvagemente espancada por ter feito fotos diante da prisão de Evin.

Mortazavi foi demitido do cargo e nomeado vice-presidente junto ao Tribunal de Cassação por Sadegh Larijani. Um novo contra-ataque do Guia contra seu protegido invadindo Ahmadinejad? Cúmulo da ironia para Mortazavi, ele ficará sob as ordens de Mohseni Ejei, o ex-ministro das Informações cortado por Ahmadinejad por não ter aprovado a encenação dos processos de adversários, que se tornou procurador junto ao Tribunal de Cassação.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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