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02/09/2009

Europeus se incomodam com Gaddafi, mas não tiram o olho de seu dinheiro

Le Monde
Tudo estava pronto em Trípoli (capital da Líbia) para celebrar com pompa, a partir da quarta-feira (1) e durante seis dias, o 40º aniversário de uma revolução que viu em 1969 um punhado de "oficiais livres" derrubarem o velho rei Idris. Entre os doze jovens militares que puseram abaixo a monarquia sem derramar uma gota de sangue, um deles, um tenente de 27 anos, Muammar Gaddafi, iria rapidamente se impor até se tornar o mestre absoluto do país. E ele continua sendo.

Seu balanço é devastador. O oficial arrojado que fizera do egípcio Nasser seu modelo fracassou do começo ao fim. Hoje um déspota envelhecido e patético, ele reina sobre um país desprovido de Constituição, onde a democracia é só uma palavra, a justiça um instrumento a serviço do poder, e a defesa dos direitos humanos um slogan vazio de sentido. Economicamente, não se constata nada muito melhor. Sentado sobre as principais reservas de hidrocarbonetos da África, o "Guia" desperdiçou a fonte petrolífera com centenas de bilhões de dólares em compras de armas ou em projetos faraônicos.

Os dirigentes europeus não deverão se aglomerar ao lado do incômodo e caprichoso coronel Gaddafi. Ainda mais que deve figurar na tribuna o único condenado pelo atentado de Lockerbie (270 mortos), libertado há pouco tempo pela Escócia. Então para não serem acusados de apoiar um regime por muito tempo banido pelas nações, os chefes de Estado europeus ficaram em casa, confiando a outros - um ministro, um embaixador... - o cuidado de representá-los.

Mas percebe-se um desconforto nessa forma de evitar o convite do "Guia". Na França, por exemplo, foi preciso esperar até o meio-dia da segunda-feira para que o governo anunciasse que o secretário de Estado para a Cooperação, Alain Joyandet - e não Nicolas Sarkozy, como afirmavam fontes líbias - , representaria o país em Trípoli.

É que nenhum país ocidental quer se desentender com um país cujo subsolo é cheio de petróleo e gás, e que decidiu investir sem moderação para compensar o seu atraso. Já solidamente implantada na Líbia, a Itália quer construir autoestradas e refinarias em sua antiga colônia. A Grã-Bretanha está de olho no ouro negro. A França espera vender para Trípoli aviões Rafale e usinas nucleares. E a Suíça faz voltar para os cofres de seus bancos os petrodólares que o "Guia" havia retirado.

O coronel Gaddafi tem má reputação, mas o talão de cheques que ele agita faz os ocidentais sonharem.

Tradução: Lana Lim

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