UOL Notícias Internacional
 

04/09/2009

"É preciso respeitar o veredicto das urnas", diz novo presidente do Gabão

Le Monde
Philippe Bernard
Em uma entrevista concedida a uma dezena de jornalistas, entre os quais o enviado especial do "Le Monde", o novo presidente do Gabão avalia que o processo eleitoral terminou, apesar das queixas de seus rivais. Ele se recusa a comentar as acusações de fraude, bem como as manifestações da oposição que ocorreram na quinta-feira. "O Gabão é um país de direito e de democracia. O povo se manifestou. É preciso aceitar o veredicto", ele afirma.
  • Issouf Sanogo/AFP

    Ali Bongo é herdeiro de Omar Bongo, que dirigia o Gabão desde 1967. "Ele é ele, e eu sou eu", diz



Le Monde: Segundo seus adversários, sua eleição se assemelha a um "assalto". O que o senhor responderia a eles?
Ali Bongo:
Não tenho nada a responder quanto a isso. Sou fiel ao compromisso de estender a mão, que mantive durante toda a minha campanha. O Gabão é um país organizado. Há instituições para as quais podemos levar reclamações e recursos. Eles devem se dirigir a essas instituições, como sempre se fez no passado.

Le Monde: O senhor teme atos de violência no país?
Bongo:
Creio que cada um deve se colocar diante de suas responsabilidades. Na condição de homem de Estado, deve se medir todas as palavras e todos os atos. Agora a competição terminou. Existem instâncias para recursos. É para essas instâncias que devem se dirigir aqueles que têm reclamações a fazer. O povo gabonês não pode ser feito refém. O povo gabonês não deve ser exposto. Ninguém tem o monopólio nem do povo, nem da rua.

Le Monde: O senhor irá propor à oposição que participe do poder?
Bongo:
É claro que, em uma eleição, aquele que recebeu os votos da população deve aplicar seu programa. Quem quer que se junte a nós o fará para aplicar esse programa, aprovado por uma maioria de gaboneses.

Le Monde: Esta manhã, a policia evacuou os manifestantes que se encontravam diante da Cité de la Démocratie. O senhor faria com que ela interviesse novamente?
Bongo:
Acabo de tomar conhecimento dos resultados de uma eleição. Não gostaria que as questões às quais você me submete girassem em torno das intrigas da oposição. Você pode encontrá-los e lhes perguntar sobre o que eles estão fazendo. E sobre as responsabilidades que são deles. Não tenho nenhum comentário a fazer sobre seus atos. Eu simplesmente digo que o Gabão é um país de direito, de democracia e de liberdade. O povo se manifestou. É preciso aceitar o veredicto. Eu havia me comprometido, apesar de todas as intenções que quiseram atribuir a mim. Tudo que disseram sobre o que eu ia fazer, ou sobre o que eu supostamente faria nunca aconteceu. O bom democrata que eu sou quer que todos que tenham entrado no jogo, conhecendo antecipadamente as regras, aceitem o veredicto das urnas. O povo falou e o povo é soberano.

Le Monde: O senhor é herdeiro de Omar Bongo, que dirigiu este país desde 1967, e o senhor afirma encarnar a mudança. Não é paradoxal?
Bongo:
Por quê? Alguém disse em outra época: "Ele é ele, e eu sou eu". Não vejo onde está o paradoxo. Outro período, outros tempos. Omar Bongo Ondimba havia começado a ruptura. Com seu discurso de dezembro de 2007 [no qual ele denunciava a corrupção e a má governança], já havíamos entrado em um processo de mudança. E de ruptura. Ele exerceu esse "dever de inventário". Hoje somos totalmente livres para conduzir a ação que os gaboneses esperam de nós.

Le Monde: É fácil governar com 41% dos votos?
Bongo:
Nós obtivemos um resultado americano. Isso nunca causou problemas para os Estados Unidos da América. Por que causaria aqui? A maioria falou em favor de um candidato. A partir de hoje, ele se torna o presidente de todos os gaboneses.

Tradução: Lana Lim

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