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04/09/2009

O pragmatismo de Angela Merkel seduz cada vez mais alemãs

Le Monde
Cécile Calla
Em Berlim (Alemanha)
Sóbria, pragmática, sem deixar vazar nenhuma emoção, a chanceler cristã-democrata Angela Merkel seduz cada vez mais mulheres, uma vantagem que não deve ser ignorada a menos de quatro semanas das eleições legislativas de 27 de setembro.
  • Christof Stache/AP

    Angela Merkel domina soberana o cenário eleitoral alemão, sobretudo entre o eleitorado feminino



Nas eleições anteriores de 2005, ela obteve tantos votos femininos quanto seu adversário social-democrata, o ex-chanceler Gerhard Schröder. Desta vez, o eleitorado feminino poderá pesar a seu favor.

Há vários meses, na verdade, uma maioria de mulheres a coloca no topo de sua preferência. Segundo uma pesquisa de opinião do instituto Forsa, publicada na quarta-feira (2), 60% delas gostariam de vê-la reeleita, contra 53% de homens. Uma tendência que se confirma no território. Não é raro ver grupos de mulheres abordando-a para lhe pedir um autógrafo ou lhe dar buquês de flores.

Esse fenômeno atinge todas as faixas etárias e todos os partidos. "Ela encontra apoio até entre as eleitoras do Partido Social-Democrata ou do Die Linke (esquerda radical)", ressalta Manfred Güllner, presidente da Forsa. A comparação com seu adversário social-democrata, o ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, vai no mesmo sentido.

A chanceler agrada mais às mulheres. O candidato do SPD, mais aos homens. Uma situação ainda mais irritante para os social-democratas, uma vez que a igualdade entre os sexos é um de seus grandes projetos para o futuro. Para provar sua boa vontade, Steinmeier respeitou uma rígida paridade em sua equipe de campanha.

Essa popularidade junto ao sexo frágil não se deve necessariamente à política familiar do governo de grande coalizão. Importantes reformas para ajudar as mulheres a conciliarem sua carreira profissional e sua vida familiar foram adotadas no decorrer da legislatura.

Sobre todos esses assuntos, a chanceler permaneceu discreta, deixando agir sua ministra cristã-democrata da Família, Ursula Von der Leyen. Uma pesquisa publicada pela revista feminina "Brigitte" em março mostrou que somente 33% das mulheres ativas pensavam que ela trabalhava pela causa feminina.

Além do mais, a chanceler sempre se opôs a medidas restritivas como a introdução de cotas, para fazer progredir a igualdade entre os sexos. Ela encarna uma certa normalidade sobre a questão dos sexos. O importante, para ela, é a performance, e não ser mulher ou homem", analisa Franziska Wolffheim, jornalista da "Brigitte". "Sua capacidade de se impor frente aos barões da CDU também contribuiu para lhe trazer o respeito das mulheres", continua a jornalista. Para Manfred Güllner, é mais "essa forma que ela tem de dar a impressão de cuidar das pessoas" que lhe garante esses votos femininos e contrasta com o comportamento machista de Schröder.

Os estrategistas de seu partido, a União Cristã-Democrata (CDU), querem tirar máximo proveito desse potencial. O eleitorado feminino representa uma reserva de votos maior do que o eleitorado masculino (32 milhões de inscritas, contra 30 milhões de eleitores). Em meados de agosto, Merkel foi aplaudida em Duisburgo, na região do Ruhr, por quase 1.200 mulheres da federação feminina da CDU. E nas últimas semanas, ela deu várias entrevistas à imprensa feminina. Mas, fiel a seus princípios, ela se atém a frases gerais e pouco atraentes. Assim, na revista "Emma", ela "aconselha as mulheres que recebem um salário inferior ao de seus colegas masculinos, por um trabalho equivalente, a procurarem seu chefe e lhe dizer que isso deve mudar". E para a "Cosmopolitan" ela declara: "As mulheres deveriam ter mais confiança em suas capacidades".

Tradução: Lana Lim

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