UOL Notícias Internacional
 

05/09/2009

Descoberto o "calcanhar de Aquiles" do vírus da Aids

Le Monde
Paul Benkimoun
Uma equipe de pesquisadores americanos identificou um novo alvo no vírus da imunodeficiência humana (HIV), um "calcanhar de Aquiles" que poderá permitir um grande avanço no desenvolvimento de uma vacina. Publicado na quinta-feira (3) no site da revista "Science", seu trabalho trata dos anticorpos neutralizantes que são capazes de inibir muitos tipos de HIV (A, B, C etc.), mais disseminados nos países em desenvolvimento. "É um trabalho importante", comenta o professor Jean-François Delfraissy, diretor da Agência Nacional de Pesquisas sobre a Aids (ANRS, sigla em francês).

Para infectar uma célula, o HIV precisa de duas moléculas, glicoproteínas, presentes em sua superfície. Uma delas, a gp120, faz com que ele se ligue à célula, e a outra, a gp41, permite que ele se funda a ela. Esses elementos-chave para o HIV são considerados como bons alvos para uma vacina contra a Aids. Uma vacina como essa deve ser capaz de incitar uma resposta do sistema imunológico sob forma de produção de anticorpos neutralizantes pelas células B (linfócitos B).

Pesquisa original
O desenvolvimento dessa vacina parecia cada vez mais distante, ao longo das decepções durante os testes clínicos. A maioria dos anticorpos neutralizantes identificados só mostrava uma capacidade de inibição sobre um pequeno número de variantes de HIV. Além disso, as gp120 e 41 são muito variáveis, e assim escapam das defesas imunológicas. Somente uma pequena minoria de indivíduos é capaz de produzir espontaneamente anticorpos de amplo espectro, ativos sobre uma elevada porcentagem de tipos do HIV, o que lhes permite resistir à infecção.

Trabalhando com empresas de biotecnologia e no consórcio IAVI (Iniciativa Internacional para uma Vacina contra a Aids), a equipe de Dennis Burton (Scripps Research Institute, La Jolla, California), elaborou uma estratégia de pesquisa original. Ela começou examinando a extensão das capacidades de neutralização do HIV no plasma sanguíneo de 1.800 pessoas infectadas por HIV não pertencente ao tipo B. Este último é presente na América do Norte e na Europa, ao passo que os outros tipos dominam em outras partes do mundo.

Dois dos anticorpos neutralizantes encontrados, chamados PG9 e PG16, só se ligavam fragilmente à gp120 e à gp41 em testes clássicos que utilizavam formas solúveis dessas glicoproteínas. No entanto, eles se revelavam capazes de neutralizá-las fortemente em testes mais inovadores realizados com o vírus completo.

Dennis Burton e seus colaboradores produziram clones de células B, e selecionaram aquelas que podiam ter uma produção grande de anticorpos neutralizantes. Ao testarem os anticorpos PG9 e PG16, os pesquisadores constataram que eles tinham por alvo duas regiões não-variáveis da gp120. "Os anticorpos neutralizantes grandes PG9 e PG16 não reconhecem uma sequência linear da gp120 e da gp41, mas uma parte dessa sequência e a estrutura nas três dimensões da glicoproteína, explica o professor Delfraissy. Isso explica sua capacidade de neutralizar toda uma série de estirpes selvagens do HIV não pertencentes ao tipo B".

Até hoje, esse tipo de anticorpos neutralizantes só havia sido destacado nos tipos B. "Há três anos, a IAVI mantém essa estratégia que diz respeito aos vírus presentes nos países em desenvolvimento. Uma atitude que deve ser louvada, pois o trabalho da equipe de Dennis Burton abre perspectivas para o desenvolvimento de uma vacina que visa produzir anticorpos desse tipo. Além disso, o poder neutralizante mostrado por esses anticorpos é forte o suficiente para que se possa pensar que até uma vacina com poder imunológico limitado poderá bastar para induzir uma proteção contra o HIV", acredita o professor Delfraissy.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host