UOL Notícias Internacional
 

08/09/2009

A glória do imediato

Le Monde
Thibaud Vuitton
O Twitter, a plataforma de microblogging que permite enviar mensagens de 140 caracteres, foi promovido pela mídia nos últimos meses. Enquanto eram 4% de internautas franceses que diziam conhecer o serviço em 2008, agora eles seriam 28%. E a utilização da ferramenta poderá decolar este ano. Voltemos para o ano que viu emergir essa ferramenta desconcertante de tão simples.

  • The New York Times

    Em 15 de janeiro de 2009, um Airbus A320 da companhia U.S. Airways pousou milagrosamente sobre o rio Hudson. Janis Krums registrou a foto no celular e enviou para o Twitter


Janis Krums havia ido a Nova York para promover sua marca de complemento nutricional. No início da tarde, esse empresário de 24 anos embarcou em uma balsa em direção a Nova Jersey. Ele ligou seu telefone para consultar suas novas mensagens no Twitter. "Foi nesse momento que um passageiro reparou no avião". Era 15 de janeiro de 2009, e um Airbus A320 da companhia U.S. Airways acabava de pousar milagrosamente sobre o rio Hudson.

Como muitos passageiros da balsa, Janis tirou uma foto. Ele explica, "e depois, como eu estava no Twitter, a enviei a meus "followers" (aqueles que seguem suas mensagens na plataforma)". Na época, menos de 200 pessoas seguiam a conta Twitter de @jkrums. Ele ganhou quase 2.000 outros seguidores naquela noite.

"Depois, não consegui olhar meu telefone durante uns vinte minutos. Eu o havia emprestado a um dos sobreviventes do avião. Quando finalmente o peguei de volta, havia uma avalanche de chamadas e mensagens".

Meia hora depois de ter enviado a foto, Janis foi entrevistado pela MSNBC, e depois pela CNN.

"Preciso de uma imagem"
Em Paris, eram quase dez horas da noite. As agências de notícias anunciavam que um pequeno avião havia pousado no rio Hudson. "Pode-se dizer que a notícia não é de importância excepcional", conta Antoine Bayet, jornalista do site Internet d'Europe 1. "Portanto, para descrever o caráter excepcional da situação, penso que preciso de uma imagem".

Muito rapidamente, a agência Reuteurs divulgou uma foto, que inicialmente foi a única usada por todas as mídias americanas: ali se via o Airbus pousado sobre a água, passageiros nas asas, e um barco de resgate nas proximidades. Ele utilizou a imagem no site da rádio, e depois a retransmitiu em sua conta Twitter @fcing.

"Mas faltava o essencial", continua Antoine Bayet. "Tirada em terra com uma teleobjetiva, a foto não situava a cena em plena Nova York. Então procurei nas redes sociais, no Flickr (um site de compartilhamento de fotos), e finalmente encontrei a foto de impacto, tirada pelo passageiro de um dos barcos de resgate. Algumas buscas mais tarde, encontrei a fonte original da foto, o tweet de Janis Krums".

Se a mídia tanto falou do Twitter, foi também porque muitos jornalistas se apropriaram da ferramenta. O cofundador do Twitter, Biz Stone, gosta de dizer que a plataforma é ideal para as "breaking news", as informações urgentes. No dia seguinte, vários jornais reproduziram a foto de @jkrums.

Para muitos, esse 15 de janeiro marcou uma virada na história das redes sociais. Outros acontecimentos colocaram em destaque o papel que a ferramenta poderia exercer no circuito midiático, mas com sua foto, @jkrums traz uma exemplificação evidente da grande força do Twitter: o imediato.

"Neste inverno, houve um pequeno tremor de terra na Califórnia", lembrou Biz Stone no fim de agosto ao "Le Monde". "Nove minutos mais tarde, a agência Associated Press publicou uma nota de 57 palavras sobre o assunto. Ora, durante esses nove minutos, o Twitter já havia publicado 3.800 mensagens, totalizando dezenas de milhares de palavras, que contavam tudo com detalhes. Nós mudamos o ritmo e o conteúdo da informação".

"Good night and good luck old medias"
Nos comentários sob a foto do rio Hudson, um internauta escreveu, lacônico: "iPhone & Twitter: good night and good luck old medias" (Boa noite e boa sorte para as antigas mídias). Olhando em retrospecto, Janis não compartilha dessa constatação. "Twitter é uma superferramenta para ter acesso às últimas notícias. Mas do meu ponto de vista, isso nunca substituirá a reportagem tradicional. Ele pode às vezes ajudar a descrever melhor uma situação".

Quase sete meses após a mensagem que fez dele um astro, Janis reconhece prontamente ter sentido "a sensação inebriante da celebridade". "Pode-se pegar rapidamente o gosto por ser tão requisitado, e é frustrante quando isso acaba da noite para o dia". Mas quando lhe perguntam sobre o que lembrará desse dia, ele logo fala da "incrível performance do piloto". "Isso me levou a me interessar ainda mais pelas novas tecnologias. As coisas evoluem tanto, quero fazer parte desse movimento". Sua carreira seguiu nesse sentido: nas próximas semanas, ele lançará um sistema de alarme para e-mail. Sem dúvida uma boa intuição: o jovem parece ter talento para estar no lugar certo, na hora certa.

Apenas cinco dias depois do "milagre do rio Hudson", ele foi novamente testemunha, em Washington, de um acontecimento que estamparia a primeira página dos jornais do mundo inteiro. Ele só não estava tão bem posicionado.

Tradução: Lana Lim

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