UOL Notícias Internacional
 

08/09/2009

Nicolas Sarkozy espera concluir no Brasil a venda do avião de combate Rafale

Le Monde
Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro
Uma palavra resume a visita de 24 horas de Nicolas Sarkozy a Brasília, entre os dias 6 e 7 de setembro: Rafale. Outros contratos importantes estão em discussão, mas é a sombra do avião de combate construído pela Dassault Aviation que irá pairar sobre as cerimônias da festa nacional brasileira, da qual o presidente francês é o convidado de honra. O Brasil deve renovar sua frota aérea militar (entre 120 e 150 aviões).

  • Ricardo Stuckert/Presidência da República

    Presidente Lula e Nicolas Sarkozy durante o desfile em comemoração ao dia 7 de Setembro


Uma primeira licitação será para 36 aviões de combate polivalentes. Em outubro de 2008, a aeronáutica anunciou o trio de "finalistas" ainda na disputa: o F-18 Super Hornet da americana Boeing, o Gripen da sueca Saab e o Rafale. Desde então, as três construtoras travam uma luta silenciosa, mas feroz, com a ajuda de seus governos, para conseguir esse contrato, avaliado, segundo as opções técnicas mantidas, entre 3 e 4 bilhões de euros.

O Rafale é o favorito desde o início, por uma razão essencial aos olhos do Brasil: além da qualidade de sua oferta, os franceses estão dispostos a trazer para seu possível cliente o máximo de transferência de tecnologia. Mais do que a compra de um avião de combate de nova geração, Brasília quer adquirir o know-how e a tecnologia para construir esse avião e, a longo prazo, se munir de uma indústria militar aérea autônoma. Somente a França lhe garante essa perspectiva a partir de hoje e sem restrições, como lembraram nos últimos meses o ministro da Defesa, Hervé Morin, e o presidente do Senado, Gérard Larcher.

Em uma pressão de última hora, a Boeing garante que pode responder às transferências de tecnologia exigidas por Brasília. Mas a última palavra caberá ao Congresso Americano, cuja aprovação está longe de ser obtida. O mesmo acontece com o avião sueco, cuja aviônica é em parte de fabricação americana.

Em entrevista concedida ao programa Internationales, da TV5 Monde, realizada em colaboração com o "Le Monde" e a Radio France Internationale (RFI), transmitida no domingo (6), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deixou transparecer sua preferência pelo Rafale, concedendo à França uma "vantagem comparativa".

"O país que melhor responder a nossas condições terá as melhores chances, e vocês sabem bem de que país quero falar", ele acrescentou com um sorriso. Resta saber quando e como o anúncio da escolha poderá ser feito. Esperava-se, do lado francês, que o resultado da licitação fosse divulgado antes da visita de Nicolas Sarkozy, transformando-a dessa forma em um encontro glorioso para a França. Mas o programa da aeronáutica foi atrasado. Esta enviou novos questionários, muito detalhados, às três empresas na disputa antes de fazer sua escolha.

Batismo de fogo
O presidente Lula declarou, na quinta-feira, que poderia falar pelo telefone com Sarkozy antes de domingo. Seria possível um anúncio de última hora? O chefe de Estado brasileiro o reservará para a coletiva de imprensa conjunta que fará na segunda-feira com seu convidado em Brasília? A pior das opções seria, sem dúvida, que Sarkozy voltasse para Paris após duas travessias do Atlântico sem que nenhum anúncio tivesse sido feito, ou até que ele não tivesse recebido em particular garantias categóricas.

Portanto, nada está definido. Cada um dos três aviões tem suas vantagens e inconvenientes. O sueco é de longe o mais barato. Mas ele tem dois pontos fracos: é um monomotor, muito vulnerável em caso de pane sobre a imensidão brasileira; e é um protótipo que nunca teve seu batismo de fogo, ao passo que o Rafale, de longe o mais caro, opera no Afeganistão. Uma possível vitória do Rafale seria um acontecimento considerável para a indústria aeronáutica francesa: o Brasil seria o primeiro país a comprá-lo. E isso abriria o horizonte para a construtora Dassault Aviation.

Essa escolha também teria o mérito da coerência militar e política. Durante a visita de Sarkozy ao Rio de Janeiro, em dezembro de 2008, a França e o Brasil selaram uma "parceria estratégica", cuja seção "defesa" é a mais notável. A França ajudará o Brasil a fabricar 50 helicópteros de combate EC-725, venderá ao país quatro submarinos de ataque do tipo Scorpène, e ajudará o Brasil a se equipar com um submarino de propulsão nuclear. Gigante e líder regional natural, o Brasil quer se munir de um instrumento de dissuasão digno de um grande ator mundial.

Ele precisa ao mesmo tempo defender seu imenso território - quase 16 vezes o tamanho da França -, vigiar 8.500 km de costas e 4,5 milhões de km2 de águas territoriais, e proteger suas riquezas naturais, especialmente suas reservas petrolíferas em águas profundas. Única potência europeia ao mesmo tempo com soberania na América do Sul - na Guiana Francesa- e fronteiriça com o Brasil, a França decidiu ajudar esse país em sua busca por meios de poder.

A escolha do Rafale seria a melhor prova de amizade que os presidentes dos dois países dizem ter, e um ponto culminante militar-comercial para o Ano da França no Brasil que, depois de ter dado lugar a centenas de manifestações culturais desde abril, se concluirá em meados de novembro.

Tradução: Lana Lim

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