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10/09/2009

Diante de um mercado europeu saturado, a Vivendi vai buscar seu crescimento no Brasil

Le Monde
Cécile Ducourtieux
Ir buscar mecanismos de crescimento fora da Europa: é esse o sentido da operação anunciada, nesta terça-feira (8), pela francesa Vivendi.

O grupo de mídia e telecomunicações, proprietário da SFR e do Canal +, tem a intenção de fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) amigável por um provedor de acesso a internet brasileiro, a GVT. A Vivendi, que propõe comprar as ações por R$ 42 a unidade, fez um acordo com os fundadores da GVT para que eles lhes vendam 20% do capital. Se os franceses atingirem seus objetivos - comprar pelo menos 51% do capital social do grupo -, ele desembolsará no mínimo 1 bilhão de euros (R$ cerca de 2,65 bilhões).

No entanto, como dizem na sede da Vivendi em Paris, a operação só será lançada se durante uma assembleia geral antes de meados de outubro os outros acionistas da GVT votarem a favor da cessão de seus títulos ao grupo francês, e se eles aceitarem "detonar" os dispositivos anti-OPA que protegem o capital da empresa brasileira.

A GVT é apresentada pela Vivendi como a "Iliad brasileira", uma operadora alternativa especialmente lucrativa, a exemplo da matriz da Free. De fato, o faturamento da GVT cresceu 34% entre 2007 e 2008 (R$ 1,3 bilhão no final de 2008). Em 30 de junho de 2009, a GVT, que possui "uma das maiores redes de fibra ótica do país", contabilizava 2,3 milhões de linhas de banda larga no Brasil.

"Esse acordo com a GVT se insere plenamente em nossa estratégia de desenvolvimento em países de forte crescimento", declarou Jean-Bernard Lévy, presidente da diretoria da Vivendi.

Assim como outras empresas, a Vivendi enfrenta uma saturação dos mercados europeus de telecomunicações. Em relação às ofertas de acesso banda larga à internet (em especial via ADSL), a França contava com 18,68 milhões de assinaturas em 30 de junho, segundo a Arcep, a agência reguladora das telecomunicações francesas. O número de assinaturas só aumentou 334 mil ao longo do segundo trimestre (1,8%) em relação ao mesmo período em 2008.

E a concorrência entre as operadoras do setor se intensifica. Elas não brigam mais para conquistar novos assinantes, mas sim para roubá-los das outras. O índice de "churn", ou seja, a proporção de assinantes que decidem deixar uma operadora por outra, torna-se um dos indicadores mais considerados por seus dirigentes.

Em outras partes da Europa, a situação não é muito melhor: segundo dados de quase um ano atrás, publicados pela Comissão Europeia, em seu relatório sobre o mercado das telecomunicações, o índice de penetração da banda larga já era em média de 22,9% (22,9 linhas para 100 habitantes).

No setor de telefonia móvel, praticamente quase todos os europeus estão equipados, sendo que na França o índice de penetração era de quase 92% no mês de junho de 2009, segundo a Arcep. "Não há mais nada o que investir na Europa, é um investimento sem retorno para as operadoras", resume, lacônico, o analista de um grande banco francês. "A indústria das telecomunicações tem um crescimento inferior ao produto interno bruto europeu, e isso para uma operadora significa que ela está perdendo participação de mercado na Europa. Para voltar a ter crescimento, é preciso ir até onde as pessoas ainda não têm telefone", acrescenta o especialista.

Algumas empresas deram um bom passo à frente. A espanhola Telefônica investiu na América Latina (México, Argentina, Brasil, Colômbia). A britânica Vodafone (coacionária da SFR) se instalou na Índia e na Turquia.

A Vivendi já possui ativos fora da Europa, a começar pela lucrativa Maroc Télécom, principal operadora fixa e móvel no Marrocos, também presente na Mauritânia, no Gabão, em Burkina Fasso e em Mali. Em julho, o grupo desistiu de adquirir uma participação majoritária na filial africana da kuaitiana Zain.

Tradução: Lana Lim

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