UOL Notícias Internacional
 

11/09/2009

No Brasil, o anúncio da compra do Rafale causa irritação nos militares

Le Monde
Jean-Pierre Langellier No Rio de Janeiro
A escolha do Rafale está provocando algumas turbulências no Brasil. Ao anunciar, na segunda-feira (7), na presença de Nicolas Sarkozy, a abertura das negociações para a compra pelo seu país de 36 caças franceses, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pegou de surpresa o comandante da Aeronáutica.
  • Dmitry Kostyukov/AFP

    Foto de 20.08 mostra o avião Rafale, de fabricação francesa, quebrando a barreira do som durante feira em Zhukovsky, nas cercanias de Moscou



Esta deveria divulgar somente em outubro suas conclusões sobre as licitações que colocam em disputa o Rafale, o F-18 americano Super Hornet da Boeing e o Gripen sueco da Saab, em uma avaliação das vantagens e inconvenientes de cada avião, sendo que nesta escolha altamente política a última palavra caberia ao presidente Lula. O chefe do Estado preferiu precipitar o movimento em favor do avião francês.

Alguns militares não gostaram do fato de que ele tenha passado por cima deles neste procedimento. E eles contaram à imprensa, que divulgou essa irritação. "Lula agiu como sindicalista apressado, e não como um chefe de Estado em um processo de seleção internacional que envolve bilhões", escreveu Eliane Cantanhede no jornal "Folha de São Paulo".

Era preciso acalmar rapidamente o descontentamento dos militares para evitar a polêmica. O que foi feito, na quarta-feira, pelo ministro da Defesa Nelson Jobim e um dos negociadores do contrato Rafale, em termos que, sobretudo, lançaram dúvida sobre o estado real da competição.

"O processo de seleção ainda não terminou", ressalta o comunicado do ministro. "As negociações prosseguirão com os três participantes, com as propostas apresentadas sendo aprofundadas e possivelmente redefinidas".

Se isso for levado ao pé da letra, o Brasil se reserva a possibilidade, no decorrer da negociação, de mudar de ideia. Sem dúvida foi a interpretação feita pelos concorrentes do Rafale.

A embaixada dos Estados Unidos em Brasília quebrou o silêncio ao comemorar o fato de o Brasil ainda não ter tomado a "decisão final", e lembrando que o Congresso americano aceitou recentemente a transferência de tecnologia exigida pelos brasileiros.

Na verdade, o esclarecimento do ministro Jobim é uma medida de precaução. Esse advogado de formação quis evitar qualquer possível questionamento pelos concorrentes do Rafale sobre a legitimidade do processo de licitação. Ele teria tranquilizado discretamente a França a respeito do significado de seu comunicado.

Ao manter aberta uma porta de saída aos futuros negociadores brasileiros, ele também reforça suas posições frente ao grupo Dassault, nas difíceis negociações comerciais que se anunciam. O presidente Lula se diverte com a contra-ofensiva dos concorrentes do Rafale. "Daqui a pouco vou receber esses aviões de graça", ele brincou diante da imprensa.

Tradução: Lana Lim

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