UOL Notícias Internacional
 

15/09/2009

Os partidos italianos preparam o pós-Berlusconi

Le Monde
Philippe Ridet
Em Roma (Itália)
É um senador de direita que encontram em uma rua do centro histórico de Roma. "Onorevole ("senador")", ele é interrogado, "como o senhor vê a situação?" Um suspiro. "Uma grande bagunça", ele diz.

Escuta essa! - É um avião? É um PIB? É a natureza? Não, é o Berlusconi!

Desde a revelação dos escândalos relativos à vida privada de Silvio Berlusconi, os roteiristas do pós-Berlusconi se puseram a trabalhar, como se fosse aconselhável antecipar a derrota das eleições gerais de 2013. Entretanto, os magistrados de Bari, que revelaram uma rede de prostituição à margem de uma investigação sobre propinas no meio hospitalar, e da qual o primeiro-ministro italiano foi o usuário final, "descartaram qualquer delito" do presidente do conselho. Sua maioria no Parlamento ainda não lhe faltou com respeito.

Mas um outro encontro aguarda Silvio Berlusconi. Nas próximas semanas - nenhuma data foi determinada - , a Corte Constitucional deverá dar seu parecer sobre a lei, votada no início de seu terceiro mandato, que protege os quatro cargos mais altos do Estado (presidência da República, do Conselho, do Senado e da Assembleia) durante seus mandatos. Se os juízes decidirem pela não-constitucionalidade da lei, Berlusconi reviverá os vários processos suspensos, entre os quais o caso Mills, de um advogado inglês condenado pelo tribunal de Milão, em 17 de fevereiro, a quatro anos e seis meses de prisão por falso testemunho. Em seu veredicto, os juízes designaram Berlusconi, que denuncia "um processo político", como o "corruptor" de David Mills.

Essa hipótese, em que Berlusconi seria impedido de governar pela volta dos "casos", provocou uma ruptura em seu próprio partido, o Povo da Liberdade (PDL). O primeiro a sair foi ninguém menos que Gianfranco Fini, presidente da Assembleia Nacional e ex-ministro do segundo governo Berlusconi. Originário da direita pós-fascista, ele conseguiu aparecer como um moderado aberto às questões de ética e imigração, após uma longa transformação política iniciada em 1995. Sob pretexto de denunciar "a falta de reflexão no partido", Fini se apresenta como uma alternativa. O presidente do Conselho agora o vê como um "inimigo" esperando por sua "queda".

Ao mesmo tempo, os centristas se organizam. Tendo recusado uma fusão com o PDL, a União do Centro (UDC, centro-direita) está no coração de todos os roteiros. Silvio Berlusconi gostaria de fazer uma aliança global com ela nas eleições regionais de março de 2010, sobretudo desde a divulgação dos escândalos que lhe tiraram parte dos votos dos católicos, dos quais a UDC é o partido natural. Mas Ferdinando Casini o deixa esperando com prazer.

"Complô"
Acima de tudo, ele não faz nada para desmentir a hipótese da constituição de um "grande centro", que tomaria o lugar da falecida democracia cristã. Aprovado pelo Vaticano e parte do episcopado italiano, esse objeto político não identificado poderá se abrir aos católicos do Partido Democrata (PD, centro-esquerda), bem como aos dissidentes de todos os campos.

A imprensa italiana indicou diversas vezes o papel de coordenador que poderá exercer o presidente da Fiat, Luca Cordero di Montezemolo, que acaba de criar uma fundação política, nessa estrutura ainda vaga. No sábado, durante sua assembleia geral, a UDC recebeu de braços abertos Francesco Rutelli (PD) e Gianfranco Fini...

Diante dessas pequenas grandes manobras, Berlusconi enfatiza as boas pesquisas de opinião da qual ele dispõe, e acusa uns e outros de "complô". Mas ele se mostra incapaz de retomar o controle. A agenda está vazia; nenhuma reforma foi anunciada; os ministros permanecem mudos. Esse imobilismo intriga, e dá mais razões para que os candidatos à sua sucessão se agitem. A Liga Norte, partido xenófobo e aliado mais fiel de Berlusconi nesses tempos difíceis, exigiu um "retorno às urnas".

Tradução: Lana Lim

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