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19/09/2009

Apresentação de Juanes em Havana irrita cubanos exilados em Miami

Le Monde
Paulo A. Paranaguá
Estrela da música pop, conhecido por seu compromisso pacifista e humanitário, o colombiano Juanes atraiu a ira dos exilados cubanos em Miami por pensar em organizar em Havana um grande concerto gratuito no próximo domingo. Os anticastristas irritados destruíram os discos do cantor em público e o acusaram de "apoiar o regime comunista".
  • AP

    O cantor colombiano Juanes fará show na Praça da Revolução em Havana (Cuba)


Enquanto crescia a polêmica, vários prisioneiros políticos cubanos saíram em defesa do músico colombiano e fizeram circular cartas assinadas por muitos deles. Esse concerto é "uma magnífica ocasião de avançar para a reconciliação entre todos os cubanos", declaram no texto. Segundo eles, já é hora de "curar as enormes feridas causadas a Cuba por 50 anos de totalitarismo".

Entrevistado a esse respeito por uma rede de televisão de Miami, Juanes jurou que não quis "ofender os cubanos que tanto sofreram". E em sua página do Twitter acrescentou: "Cuba e Miami são a mesma comunidade, as mesmas famílias. Não tenhamos medo da liberdade e da mudança".

Na Praça da Revolução em Havana, o palco foi levantado no mesmo lugar em que o papa João Paulo 2º celebrou uma missa pública em 1998. O concerto se realizará sob a bandeira de "Paz sem fronteiras" que já serviu para um espetáculo organizado por Juanes na fronteira entre Colômbia e Venezuela em 16 de março de 2008, em um momento de viva tensão entre os dois países. Em Havana os organizadores pediram aos artistas e ao público que evitem "as mensagens políticas".

A escolha da praça, que serve de cenário para o castrismo em suas grandes reuniões, não é casual. "O concerto será manipulado, pois o governo cubano manipula e politiza tudo o que toca", adverte Gorki Aguila, líder do grupo de rock cubano Porno para Ricardo, que defende a iniciativa de Juanes, apesar de sua "ingenuidade".

"O concerto efetivamente tem um alcance político, mas não o que lhe atribui uma parte do exílio em Miami", considera por sua vez Manuel Cuesta Morúa. Este opositor social-democrata vê no evento uma mensagem de abertura, que propõe "à sociedade cubana outras opções e outros pontos de referência".

Juanes não estará sozinho no palco. A seu lado se encontrarão os espanhóis Miguel Bosé, Víctor Manuel e Luis Eduardo Aute, assim como alguns artistas cubanos, entre eles o cantor Silvio Rodríguez e a orquestra Los Van Van, mas também o irreverente Carlos Varela e o grupo Orishas, que não se apresentam em público com frequência.

Embora tome partido por Juanes, a conhecida blogueira cubana Yoani Sánchez lamenta que os cubanos que moram no exterior - o "salsero" Willy Chirino, o trompetista Arturo Sandoval, o saxofonista Paquito D'Rivera e a cantora Albita Rodríguez, entre outros - não participem da festa. "Já que Juanes fala da paz, deve saber que a ilha não está em guerra, mas também não conhece a concórdia", escreveu Sánchez em seu blog, "Generación Y".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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