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20/09/2009

A nova primeira-dama japonesa e seu "contato do terceiro grau"

Le Monde
Philippe Pons
Em Tóquio (Japão)
Longe das questões políticas enfrentadas pelo governo japonês, as revistas semanais populares, cuja publicação no meio da semana coincidiu com a formação do novo gabinete dirigido por Yukio Hatoyama (PLD), voltaram suas atenções para a esposa do primeiro-ministro, Miyuki Hatoyama.

A "Shukan Shincho" deu a manchete para os "fenômenos sobrenaturais" relatados pela sra. Hatoyama; a "Shukan Bunshun" citou seu primeiro marido que, pouco amistoso, disse que sua ex-esposa "adora dinheiro e fama", e a revista feminina "Josei Jishin" falou de sua iniciação no ocultismo por um xamã havaiano... O interesse da imprensa estrangeira pela esposa do primeiro-ministro deriva do surto de atenção dos jornais nipônicos.
  • AFP PHOTO / Yoshikazu TSUNO

"Eu como o Sol"
É verdade que Miyuki Hatoyama deu pano para manga, com suas declarações e intervenções em uma espécie de programa de televisão chamado "talento", onde personalidades tão excêntricas quanto superficiais relatam suas experiências. Assim ela contou que, enquanto dormia, havia sido transportada para o planeta Vênus por um extraterrestre, e que em uma vida anterior o ator Tom Cruise havia sido japonês. Ela também falou de seus "desjejuns solares". "Eu como o Sol", ela diz.

Seu editor - a sra. Hatoyama escreveu um livro intitulado "Coisas Muito Estranhas que Encontrei" - relativiza sua viagem interplanetária: "Ela simplesmente teve um sonho".

Descontraída, elegante e excêntrica, Miyuki Hatoyama e sua personalidade extrovertida rompem com a imagem convencional da esposa de um chefe de governo japonês. Por meio de seu casamento ela pertence à alta sociedade, cujos gostos ela compartilha: ela se diz "compositora na arte de viver", e adiciona a esse talento uma dimensão espiritual, mesmo quando escreve receitas de cozinha.

Essa atração pela espiritualidade pode provocar risos. Mas o Japão é um terreno fértil para uma multidão de pequenas crenças mágicas e religiosas. O culto xintoísta alimentou uma espiritualidade povoada de personagens com dons sobrenaturais, que praticam exorcismos e ritos propiciatórios. A modernização e a fragmentação de estruturas comunitárias tradicionais disseminaram um grande número de seitas e de cultos a "pequenos deuses".

Os japoneses que se dizem sensíveis "às ondas" ou que consultam adivinhos e astrólogos não são raros. Mas é pouco comum uma mulher da idade (70 anos) e da classe social de Miyuki Hatoyama relatar suas "aventuras" extraterrestres.

Marcada pela excentricidade, sua vida é livre de certas convenções: ela conheceu Yukio, quatro anos mais jovem do que ela, na Califórnia, quando ele era estudante na Universidade de Stanford e ela era casada com o dono de um restaurante japonês. Antes disso, foi atriz na trupe teatral de Takarazuka, onde todos os papeis são interpretados por mulheres.

Tradução: Lana Lim

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