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22/09/2009

Apesar da pressão da extrema direita dinamarquesa, a cidade de Copenhague construirá uma mesquita

Le Monde
Olivier Truc Em Estocolmo (Suécia)
A futura grande mesquita de Copenhague poderá nascer. Foi o que decidiu, na quinta-feira (17), o conselho municipal de Copenhague, dominado pelos social-democratas, apesar dos protestos da extrema direita, que continua a fazer pressão, a dois meses das eleições municipais.

Nos últimos dias, o Partido do Povo Dinamarquês (DF, extrema direita) espalhou pela capital cartazes pedindo por um referendo sobre a construção desse edifício religioso. O cartaz traz uma fotomontagem da Mesquita Azul de Istambul, no topo da qual foram adicionados sabres cruzados. O texto diz: "Se você quer garantir uma resistência contra as cidadelas islâmicas, vote no DF nas eleições municipais".
  • Pervez Masih/AP

    A ideia de uma mesquita nasceu no início de 2006, quando o mundo muçulmano se exaltava contra as caricaturas de Maomé publicadas em setembro de 2005 pelo jornal dinamarquês "Jyllands-Posten".
    Na foto de fevereiro de 2006, integrantes de um grupo religioso paquistanês queimam a bandeira da Dinamarca para protestar contra a "ofensa" ao Islã



O conselho municipal de Copenhague já havia votado, no fim de agosto, em favor de uma mesquita no bairro ao noroeste da capital, julgando, como os outros partidos, que os muçulmanos dinamarqueses tinham direito a um local de culto digno desse nome, assim como os praticantes de outras religiões. Somente a extrema direita votou contra a resolução. O projeto da mesquita Imam Ali custaria entre 5,3 e 6,7 milhões de euros, financiados por fundos privados. Ele seria implantado em um terreno que teria sido comprado, segundo a imprensa, em 2001 pela embaixada do Irã.

Financiamento iraniano
No início de setembro, o DF voltou à carga, argumentando que a mesquita seria financiada pelo regime iraniano. O Partido Popular Dinamarquês se declarou muito preocupado com o fato de que "uma potência estrangeira pudesse utilizar uma mesquita em Copenhague para radicalizar os muçulmanos na sociedade dinamarquesa". O arquiteto Bijan Eskandani garantiu que o dinheiro que vinha do Irã não tinha origem oficial, mas sim de dois ricos empresários.

A ideia de uma mesquita nasceu no início de 2006, quando o mundo muçulmano se exaltava contra as caricaturas de Maomé publicadas em setembro de 2005 pelo jornal dinamarquês "Jyllands-Posten". Herbert Pundik, o ex-redator chefe de outro jornal dinamarquês, o "Politiken", havia sugerido que uma grande mesquita fosse construída, para pôr um fim aos protestos. Para dar uma carga simbólica a essa ação, Pundik sugeriu iniciar uma arrecadação para que o edifício fosse "um presente dos cidadãos dinamarqueses a seus concidadãos muçulmanos".

Desde o caso das caricaturas, a Dinamarca se encontra dividida. O clima de desconfiança frente aos imigrantes permanece elevado, com uma extrema direita que muitas vezes impõe sua pauta. Além disso, o Partido do Povo Dinamarquês não pretende abandonar o assunto: no início de outubro, ele apresentará ao Parlamento uma proposta de lei que visa proibir o uso da burca no espaço público, medida inicialmente pretendida pelo Partido Conservador que está no poder, e depois abandonada por razões jurídicas.

Desde 2001 e a chegada ao poder da atual coalizão governamental minoritária liberal-conservadora, o DF (15,7% nas eleições legislativas de 2007) se posicionou como aliado tão fiel - votando os orçamentos ano após ano - quanto turbulento, negociando vigorosamente seu apoio ao custo de um endurecimento bastante perceptível da política de imigração. "Seu projeto e sua opinião sobre a imigração são agora amplamente aceitos pela maioria dos dinamarqueses e dos partidos políticos, mesmo à esquerda. Dessa forma, o DF ganhou", constata Ove K. Pedersen, professor no Centro Internacional de Comércio e Política.

A Dinamarca tentou melhorar sua imagem entre o mundo muçulmano com programas de auxílio. Em 2008, o DF protestou contra o financiamento, por meio de fundos públicos, da restauração de 13 mesquitas no Afeganistão. O governo havia argumentado que essas construções reforçavam a confiança nos soldados dinamarqueses no local, e portanto sua segurança.

O islamismo na Dinamarca
A comunidade. A Dinamarca possui cerca de 200 mil muçulmanos, ou seja, 3,5% da população. Eles são em sua maioria originários da Turquia, do Paquistão, do Marrocos e da Bósnia-Herzegóvina. Os primeiros chegaram como trabalhadores no final dos anos 1960. Nos anos 1980, palestinos e iranianos chegaram como refugiados. Mais recentemente, muçulmanos de origens diversas se instalaram na condição de reagrupamento familiar.

Os locais de culto. Segundo fontes, o número varia entre 60 e 130. A maioria desses lugares está instalada em apartamentos ou porões. Nenhuma mesquita oficial foi construída até hoje, por falta de financiamento.

Tradução: Lana Lim

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