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22/09/2009

Filha de Raúl Castro alerta contra qualquer "mudança radical" em Cuba

Le Monde
Jean-Michel Caroit Em Santo Domingo
Filha do atual presidente cubano, Raúl Castro, Mariela Castro Espin dá continuidade, à sua maneira, ao trabalho de sua mãe Vilma Espin (1930-2007), fundadora da Federação das Mulheres Cubanas. Diretora do Centro Nacional de Educação Sexual em Havana, Mariela Castro Espin, 47, na verdade conduz um combate incessante contra a homofobia e pelo reconhecimento de todas as minorias sexuais.

Esse combate entra em conflito com os entraves da sociedade cubana. Entretanto, pouco após a aposentadoria de seu irmão Fidel por motivos de saúde, Raúl Castro prometeu "mudanças estruturais" em todos os setores. Estariam elas ainda na ordem do dia? Mariela Castro sorri. Ela sai pela tangente, explicando que seu pai não lhe faz confidências "porque eu dou entrevistas", ela declara ao "Le Monde", durante uma visita de trabalho em Santo Domingo, no dia 14 de setembro.
  • Enrique De La Osa/Reuters

    Diretora do Centro Nacional de Educação Sexual em Havana, Mariela Castro Espin, 47, conduz um combate incessante contra a homofobia e pelo reconhecimento de todas as minorias sexuais



"Como cidadã, observo os pequenos passos, prudentes, para fazer as mudanças de que a sociedade cubana precisa, para reforçar o socialismo e satisfazer as necessidades crescentes de nossa população", ela acrescenta. "Uma mudança radical neste momento seria muito perigosa", ela explica.

O que não impede que a filha de Raúl Castro lute contra "as normas que caducaram, e devem ser mudadas pois afetam a liberdade dos cubanos e das cubanas". Assim, ela propôs uma modificação do Código da Família "para garantir o respeito à livre orientação sexual e aos homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis".

"Para não chocar os religiosos", Mariela Castro não insiste em legalizar o casamento homossexual. "Nós propomos uma união consensual que garanta os mesmos direitos a todos", ela diz. "Não quero entrar em contradição com a Igreja Católica, tenho ótimos amigos no mundo religioso e acredito que podemos encontrar pontos em comum".

Diante das reticências da sociedade cubana "que evolui, mas continua sendo machista e patriarcal", ela conta com a educação, na escola e na mídia. "É verdade que as forças armadas (comandadas desde o início do regime por seu pai) não aceitam os homossexuais", ela admite.

"Mas à medida que trazemos novos elementos de informação e de análise, e que a população pode debatê-los publicamente, as instituições e as pessoas que as integram vão mudar, quer se trate de funcionários, de militares ou de policiais", ela espera.

A primeira operação de mudança de sexo foi realizada em Cuba em 1988. Após uma interrupção de mais de vinte anos, devido à oposição de diversos setores da sociedade, entre os quais a Igreja, esse procedimento cirúrgico deverá ser retomado em breve, sob o controle da Comissão de Atenção Integral às Pessoas Transexuais, presidida por Mariela Castro. A equipe médica foi formada em cooperação com cirurgiões belgas especialistas nesse tipo de operação.

"Nós estamos fazendo uma campanha de educação para explicar que se trata de ajudar pessoas cujo sexo biológico está em contradição com sua identidade sexual", ela explica. E essa intervenção será acessível a estrangeiros, no contexto do "turismo de saúde" que se desenvolveu em Cuba nos últimos anos? "Não", diz a sobrinha de Fidel Castro, "a resolução do ministério da Saúde estipula que essa operação, gratuita, só poderá ser feita em benefício dos cubanos".

Portanto, as reformas em Cuba avançam com cautela e, segundo Mariela Castro, a chegada de Barack Obama à Casa Branca não mudará radicalmente as coisas. "Como muitos cubanos, vi sua eleição com uma grande esperança. É um homem inteligente, bom, profundamente humano, como mostram sua biografia, sua trajetória e seus valores. Ele faz o possível para que todos os cidadãos tenham acesso à saúde", diz Mariela Castro.

"Mas ser presidente dos Estados Unidos não significa que ele possa modificar a atitude dos grupos de pressão que decidem a relação com Cuba, a política em relação à América Latina ou que influem na problemática entre Israel e Palestina", ela continua. "Sou ateia, mas se tivesse fé, rezaria para que Barack Obama conseguisse".

Tradução: Lana Lim

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