UOL Notícias Internacional
 

25/09/2009

A intransigência de Pinhas Wallerstein, figura da colonização na Cisjordânia

Le Monde
Laurent Zecchini Em Jerusalém
Pinhas Wallerstein está cauteloso: ele não sabe o que pensar do encontro de Nova York entre o presidente Barack Obama, o premiê israelense Benyamin Netanyahu e Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. Sim, o presidente norte-americano abandonou a referência ao "congelamento" da colonização, pedindo ao premiê israelense somente por sua "limitação", mas o diretor-geral do Yesha, o Conselho dos Colonos, nos explica nesta quarta-feira (23) que "é uma questão de palavras, e isso não diz muito a respeito das intenções".

Faz mais de 35 anos que Pinhas Wallerstein determinou como missão para si defender o direito dos colonos judeus de ocupar toda a terra do "Grande Israel". Pode-se dizer que ele não está disposto a baixar a guarda para uma nuance semântica. Além disso, ele constata que os palestinos mantêm suas "pré-condições" para uma retomada do diálogo, em especial a respeito do congelamento total da colonização.

Por ora, no entanto, o Yesha guardou a tenda e as faixas que estavam penduradas perto do gabinete do primeiro-ministro, como aviso. Durante dois dias, prefeitos, presidentes de conselhos regionais e ministros passaram por lá, e Dani Dayan, presidente do Yesha, declarou em alto e bom som: "Hoje nós somos mais de 300 mil (colonos) na Judeia e Samaria (Cisjordânia). Estamos vivos, não podem nos congelar".

Colônias em expansão

Israel reconhece 121 "comunidades" (colônias) na Cisjordânia, às quais se somam 12 bairros de colonização instalados em terras anexadas por Israel na parte oriental de Jerusalém conquistada em 1967. A eles se somam cerca de cem pontos de colonização "ilegais". Segundo estatísticas israelenses, mais de 300 mil colonos vivem na Cisjordânia. Eles seriam em torno de 195 mil em Jerusalém Oriental. A taxa de crescimento na Cisjordânia é de 4,7%, contra os 1,6% para o conjunto dos israelenses.



Pinhas Wallerstein conduziu muitas lutas a favor da colonização desde que criou, em 1975, com alguns outros "pioneiros", a colônia de Ofra, perto de Ramallah. Na época, o Gush Emunim (bloco dos fiéis), que antecedeu o Yesha, acabava de nascer. Trinta anos depois, em 2005, houve o combate do Gush Katif e o despejo dos colonos de Gaza. Na época, o Yesha não conseguiu persuadir o primeiro-ministro Ariel Sharon a desistir de seu plano de evacuação.

Mas que ninguém se engane: "Não tem nada a ver com a Judeia e Samaria, são os próprios fundamentos do Estado de Israel: os colonos não partirão jamais, e as construções não pararão. Para isso seria preciso que a Knesset (o Parlamento) votasse uma lei que proibisse as construções, e é impossível". Pinhas Wallerstein, um homem franzino de 61 anos, sorridente e manco (sequelas de uma ferida de guerra), anda com seu telefone grudado à orelha: ele está sempre coordenando as colônias e seus "postos avançados", os pontos de colonização ilegais em Israel (todas as implantações o são, para a comunidade internacional).

"Fixar as fronteiras"
Se o diretor-geral do Yesha se opõe ao "congelamento", é porque ele sabe que seria uma cadeia de eventos na direção de uma interrupção definitiva da colonização. E isso ele não quer de forma alguma: "A colonização é indispensável para fixar as fronteiras definitivas do Estado de Israel. Essa presença judaica por toda a parte é necessária para impedir um Estado palestino", ele insiste.

Ele não hesita: "Além da minha convicção sionista de acreditar que toda essa terra é nossa, um Estado deste lado do Jordão representaria um perigo para a segurança do Estado de Israel. Os palestinos não têm nenhum direito sobre esta terra". Ele ressente muito Benyamin Netanyahu por este ter finalmente admitido o princípio de dois Estados, e não fará nenhuma concessão.

Ao mesmo tempo em que permanece discreto em seus métodos, ele menciona o recurso a "todos os meios extra parlamentares". Em 2004 ele já havia incitado a desobediência civil. Como lhe observam que o Yesha talvez já não controle tanto o governo, ele afirma sorrindo que foi um dos responsáveis pela queda do governo anterior de Netanyahu, em 1999, e se for preciso o fará novamente.

Quanto a uma suposta diminuição de influência do Conselho dos Colonos, Pinhas Wallerstein se contenta em indicar que ele conversa com os ministros "todos os dias", e cita seu último encontro com o chefe das Forças Armadas. Essa proximidade lhe ensinou, segundo ele, que só há uma forma de lidar com os políticos: mantendo-os sob vigilância.

Tradução: Lana Lim

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