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01/10/2009

Indesejável desde seu sequestro, o Arctic Sea vagueia ao largo das Ilhas Canárias

Le Monde
Marie Jégo Em Moscou (Rússia)
As peregrinações do Arctic Sea, o cargueiro russo de bandeira maltesa que ficou misteriosamente desaparecido por semanas neste verão, continuam. Com a investigação sobre as circunstâncias de seu desaparecimento concluída, e os piratas responsáveis pelo seu sequestro presos e levados a Moscou para serem julgados, o navio deveria ser devolvido a seu proprietário. Nada disso.
  • Pekka Laakso/Lehitukuva/AP

    Os donos do cargueiro russo Arctic Sea não querem reaver o navio desaparecido


A empresa proprietária do navio, Arctic Sea LTD Malta, registrada em Valetta (Malta), não parece ter pressa nenhuma de recuperá-lo, e a Solchart Management AB, sua operadora russa com sede na Finlândia, está à beira da falência. Então, assim como um navio-fantasma, o cargueiro vagueia há semanas nas águas internacionais ao largo do arquipélago das Canárias. Uma escala técnica no porto de Las Palmas lhe foi recusada. E ele é indesejado em Valetta. Ninguém o quer: problemas demais em vista.

Segundo a versão oficial, o Arctic Sea, um cargueiro carregado de madeira pertencente a uma empresa russa registrada na Finlândia, estava em rota para a Argélia quando foi capturado por piratas em águas suecas, no dia 24 de julho. Resgatado pelo exército russo três semanas mais tarde na costa da África, o navio foi em seguida revistado durante um mês pelos investigadores da Procuradoria russa.

Interrompendo as especulações segundo as quais o navio transportava mísseis russos destinados ao Irã, a Procuradoria russa entregou um relatório, em 19 de setembro, de seu trabalho de inspeção. Havia "somente madeira" a bordo, concluíram os investigadores. Desde então, o cargueiro vagueia e os quatro marinheiros russos que permaneceram a bordo "para manutenção" estão desesperados.

Segundo seus familiares, o capitão e três marinheiros de Arkhangelsk (noroeste da Rússia) estão no final de seu estoque de mantimentos, fisicamente esgotados e sem documentos. Seus passaportes teriam sido destruídos durante o sequestro do navio.

O retorno deles a Arkhangelsk, a grande cidade portuária no Mar Branco, é cada vez mais incerto. Em 24 de setembro suas esposas dirigiram uma carta aberta às "autoridades competentes": "Em nome do respeito aos direitos humanos, pedimos ajuda para a volta de nossos familiares", diz a mensagem, publicada pelo site de informações marítimas www.odin.tc.

As esposas dos marinheiros - entre as quais Elena Zaretskaia, esposa do capitão - estão preocupadas: "Perdemos todo contato com o navio e a tripulação. Antes, podíamos falar com eles por telefone (...) mas, desde 18 de setembro, mais nada".

O destino dos marinheiros não parece comover as autoridades russas, mais preocupadas com seu silêncio do que com sua volta a uma vida normal. Dos quinze membros da tripulação, onze foram repatriados em meados de setembro a Moscou. Assim que chegaram à Rússia, foram levados em segredo a Lefortovo, a prisão moscovita do FSB (serviços de segurança). Em sua libertação, eles se comprometeram por escrito a guardar silêncio sobre todo o caso.

Para piorar as coisas, o salário da tripulação certamente não será pago. Seu empregador foi levado à falência "por causa das intrigas da Procuradoria russa", acusa o diretor da Solchart, Viktor Matveev.

Tradução: Lana Lim

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