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09/10/2009

A polêmica em torno de Frédéric Mitterrand: "um caso muito francês"

Le Monde
Vítima colateral do caso Polanski ou "pedófilo" vergonhoso? Nesta quinta-feira (8), o caso Mitterrand agitava a mídia estrangeira quase tanto quanto a imprensa francesa. Como era de se esperar, os jornais britânicos foram os primeiros a atacar. O artigo da BBC dedicado às decepções político-midiáticas do ministro da Cultura faz parte dos mais consultados do dia.

Mais sutil do que o "El Mundo", que fala do "ministro pedófilo de Sarko", o correspondente do "Times" em Paris fez uma longa análise sobre esse "caso muito francês". "Frédo, como é conhecido, está sendo vítima de um terrível tiro que saiu pela culatra", escreve Charles Bremner. "Se um ministro confessasse ter saído com prostitutas no passado, poucas pessoas na França se ofenderiam com isso. É a suspeita de pedofilia que faz toda a diferença", escreve.

"O mal está feito"
Mas, contrariamente ao que afirma o "Daily Mail" a respeito do gosto pronunciado do ministro por "meninos", Frédéric Mitterrand garantiu que ele nunca havia saído com menores.

Ainda que, por enquanto, Frédéric Mitterrand esteja sendo apoiado por Nicolas Sarkozy, o caso pode lhe custar caro. O governo finca o pé sobre a defesa da vida privada, mas, continua Charles Bremner, "o argumento não desce": "O mal está feito. Os franceses agora sabem que o detentor de uma das mais prestigiosas pastas ministeriais é um adepto autoproclamado do turismo sexual". A imagem do ministro foi gravemente danificada, e "Sarko não gosta disso".

O presidente "que leu o livro em junho, obedeceu a uma tradição bem francesa segundo a qual a vida privada das pessoas públicas geralmente não é matéria de discussão. Ele deveria ter imaginado, levando em conta a midiatização de sua vida sentimental, que essa velha regra havia se despedaçado".

Entretanto, lembra o "Daily Telegraph", a chegada do sobrinho de François Mitterrand ao governo foi vista como um "belo acréscimo" pela direita francesa. Segundo o jornal, "o ministro vem de uma grande família socialista e continua sendo muito popular entre o establishment cultural de esquerda". O caso é ainda mais "constrangedor" para o chefe do Estado, uma vez que sua esposa Carla Bruni teria militado ativamente pela nomeação de Frédéric Mitterrand para o Ministério da Cultura, observa o "The Independent".

Tradução: Lana Lim

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