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09/10/2009

Na City, os bancos estrangeiros tentam contornar a restrição aos bônus

Le Monde
Marc Roche Em Londres
Será que as pesadas portas forradas do ministério britânico das Finanças conseguirão conter a fúria dos banqueiros normalmente tão discretos? Por muito tempo reprimido, o confronto entre o governo trabalhista e os dirigentes de filiais londrinas de estabelecimentos estrangeiros deverá vir à tona durante uma reunião dedicada à reforma dos bônus, na próxima semana em Whitehall.

O secretário de Estado encarregado da City (distrito financeiro de Londres), Lorde Myners, precisará de todo seu tato de ex-banqueiro, carismático e metódico, para persuadir seus interlocutores sobre a importância das novas regras para as gratificações de fim de ano que devem entrar em vigor no Reino Unido em 1º de janeiro de 2010.

Londres pretende apressar a implantação na City das medidas sobre os bônus decididas no G20 de Pittsburgh (EUA). Em virtude do projeto de lei que o governo quer apresentar ao Parlamento nas próximas semanas, 40% a 60% do bônus deverão ser pagos em três anos. Pelo menos metade desses prêmios deverá ser paga em ações. A autoridade dos mercados financeiros, a Financial Services Agency (FSA), poderá penalizar os bancos que não respeitarem essas regras. Proibindo, por exemplo, os banqueiros gananciosos demais que se tornem os administradores externos de empresas.

Os cinco maiores bancos britânicos (HSBC, Barclays, Lloyds, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered) se comprometeram, em 1º de outubro, a aplicar esse sistema. Em razão da impopularidade dos banqueiros considerados pela opinião pública como responsáveis pela crise econômica e financeira, sua margem de manobra é limitada. O mundo político, englobando todos os partidos, continua criticando os bônus extravagantes e a cultura do lucro a curto prazo. Com a aproximação das eleições gerais, que acontecerão no mais tardar em meados de 2010, o ministro das Finanças, Alistair Darling, quer evitar uma nova polêmica durante a distribuição, em fevereiro ou em março, de gratificações de 2009 que prometem ser generosas.

Escapar das restrições
Em troca do acordo dos "cinco grandes", o Tesouro teria abandonado seu projeto de publicar todos os anos uma classificação dos vinte maiores bônus. Além disso, a soma reservada pelos bancos para pagar os prêmios não seria limitada legalmente.

Em compensação, as cerca de vinte empresas estrangeiras bem estabelecidas na City não concordam com isso. Sua associação ameaça entrar na Justiça para obter a anulação de um projeto considerado mal-feito, imposto sem consulta e sobretudo contrário à livre concorrência. "É preciso respeitar o fair-play em escala mundial. Sem isso, os melhores elementos vão embora", ressalta um profissional europeu. Os estrangeiros temem sobretudo a migração dos traders mais talentosos para os hedge funds, os fundos especulativos cujas remunerações escapam da restrição.

Conduzida pelos influentes estabelecimentos norte-americanos, essa campanha tem o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson, e dos caciques da City. Os dirigentes da principal praça financeira europeia acreditam que essa legislação só pode beneficiar os centros financeiros concorrentes, como Cingapura, Dubai ou até Genebra (Suíça), cuja flexibilidade compensa em muito a desvantagem dos fusos-horário ou do modo de vida.

"Essas medidas acentuarão a pulverização crescente dos bancos de investimentos", indica a publicação semanal londrina "Financial News". A série de reformas financeiras e fiscais transforma aos poucos o cenário em torno do Banco da Inglaterra. Para escapar das restrições sobre os bônus, o Barclays ou o Société Générale estão dando liberdade aos dirigentes das atividades de risco. Estes últimos criam estruturas privadas do tipo hedge funds que podem fixar os bônus como bem entenderem. Essas pequenas e médias empresas muitas vezes são financiadas pela própria matriz que, em troca, recebe comissões sobre suas operações de mercado. Quem perde ganha?

Tradução: Lana Lim

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