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16/10/2009

Os Estados Unidos tentam dinamizar seu crescimento pelas exportações

Le Monde
Yves Mamou
Para Fred Bergsten do Peterson Institute, centro de pesquisas americano especializado em relações econômicas internacionais, não há dúvida: "A administração americana indicou sua vontade de passar de um modelo econômico centrado no consumo interno para um modelo onde o crescimento é provocado pelas exportações". Em 17 de julho em Washington, Larry Summers, principal assessor econômico de Barack Obama, afirmava sem rodeios que "o crescimento das exportações era a chave para sair da crise financeira".

A exportação de bens e serviços certamente tem a ver com um dólar fraco. O limiar de US$ 1,5 por um euro está para ser ultrapassado, e nem a Casa Branca, nem o Federal Reserve (Fed, banco central americano) se preocupam com essa depreciação, já que ela alavanca rapidamente a compra de produtos americanos fora dos Estados Unidos. Essa reorientação da política econômica americana certamente tem implicações sobre o resto do planeta.

O comércio internacional é um jogo de soma zero: os US$ 542 bilhões de dólares (cerca de R$ 920 bilhões) de déficit registrados pela balança comercial dos Estados Unidos nos doze últimos meses se encontram no positivo dos caixas das contas correntes chinesa (364 bilhões), japonesa (114 bilhões) e alemã (158 bilhões). Sem falar dos produtores de matéria-prima, hoje conscientes, segundo a fórmula de Daniel Cohen, professor de economia na Escola Normal Superior, da "financialização de seu subsolo" (minerais e petróleo)

"Um exercício delicado"
Essa política do dólar fraco já está trazendo frutos, na medida em que acompanhou uma queda do preço dos produtos petroleiros. O déficit da balança comercial americana passou assim de 6,5% do produto interno bruto (PIB) em 2006 para 2,9% hoje. O excedente chinês, por sua vez, passou de 11% do PIB para menos de 10% e deverá ainda ser reduzido em 2009.

Mas nada diz que a China, o Japão, os países emergentes da Ásia deixarão sua divisa se valorizar para financiar melhor a importação de produtos americanos. "O exercício é delicado", reconhece um observador que não quer ser identificado: "Seria preciso que o yuan se valorizasse ao mesmo tempo em que continuasse atrelado ao dólar. Se os chineses perderem confiança na moeda americana e dela se desatrelarem em massa, entraremos em zonas desconhecidas".

Jean-Paul Fitoussi, presidente da OFCE, o centro de pesquisas da Sciences Po, gostaria de acreditar na mudança do modelo americano "mas isso não parece estar acontecendo". Para ele, o atual declínio do dólar parece mais uma correção do que uma mudança de estratégia. "Essa divisa estava valorizada no auge da crise financeira porque os capitais buscavam um porto seguro. Sua depreciação começou quando esse movimento de pânico na direção dos títulos do Tesouro americano acabou". Em 13 de outubro, no site do "Le Monde", Fitoussi declarou que "o euro é a única moeda que dispõe de uma capacidade de valorização na ausência de estratégia das autoridades europeias". O presidente da OFCE, aberto a todas as possibilidades, não exclui nem uma deflação em 2010 nos Estados Unidos, nem um crescimento americano forte puxado por uma retomada do consumo.

Para Daniel Cohen, professor da Escola Normal Superior, a "queda do dólar - qualquer que seja sua causa - é algo bom para reduzir os desequilíbrios globais e para a retomada das exportações americanas". Ele quer acreditar na mudança de paradigma da economia americana, mas duvida que "esse defensor de uma economia pós-industrial" especializada na exportação de produtos imateriais (filmes, softwares...) tenha produtos em loja o suficiente para restabelecer de maneira significativa e sustentável sua balança comercial.

Tradução: Lana Lim

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