UOL Notícias Internacional
 

17/10/2009

A hiperpresidência de Sarkozy mostra seus limites na metade de seu mandato

Le Monde
Françoise Fressoz
O que existe em comum entre o imposto sobre o carbono, o caso Mitterrand, o imposto empresarial e a polêmica em torno de Jean Sarkozy? Todos esses assuntos que envenenam o clima da volta do recesso parlamentar e obrigam Nicolas Sarkozy a se justificar em uma longa entrevista ao "Figaro", na sexta-feira (16), existem pela vontade de um único homem.

Vida política de filho de Sarkozy é polêmica

Foi o presidente que, após as eleições europeias, quis se tornar mais verde que os Verdes. Ele que impôs à direita uma nova onda de abertura, convidando um certo "F." Mitterrand para o governo. Foi ele também que quis extinguir o imposto empresarial, que seu predecessor socialista havia chamado de "imposto imbecil" sem conseguir dar um fim a ele. Por fim, é ele que encoraja a ascensão de seu filho caçula Jean ao distrito de Hauts-de-Seine, correndo o risco de chocar a opinião pública e de abalar profundamente a direita.

A vontade de um único homem e, indiretamente, sua exposição desprotegida, dá a essa metade de mandato um tom particular. Pois, quanto ao resto, nada além do clássico. Passado o primeiro período, onde tudo parecia simples porque era a "lua-de-mel" e porque se tratava simples e metodicamente de aplicar as promessas da campanha eleitoral, governar torna-se bem mais complicado: com o choque da realidade, os objetivos se confundem, os projetos se perdem.

"É a maldição dos dois anos". Disse Nicolas Sarkozy, que conhece de cor a história da 5ª República e a infelicidade de se encontrar diante de uma conjuntura particularmente depressiva, consequência da crise mundial.

Alarme para o presidente

Essa crise dos dois anos, ou melhor, dois anos e meio, é conhecida de todos seus predecessores: em especial François Mitterrand e Jacques Chirac, que, trancados em sua torre de mármore, viram o eleitorado ponderar e depois se assentar em um surdo desencanto. Em parte, é por isso que Nicolas Sarkozy, eleito pela ideia de ruptura, age dessa forma. Qualquer coisa é melhor que o imobilismo!

E não importa se as últimas reformas foram mal elaboradas, como a do imposto empresarial, que irritou os parlamentares locais e está sendo amplamente reescrita. Não importa se elas entram em contradição flagrante com a mensagem global, como a criação do imposto sobre o carbono que, de fato, acaba acrescentando um imposto extra, ainda que o dogma estabeleça que não deva haver aumento de impostos. Nicolas Sarkozy parte do princípio que no final tudo será resolvido. Que o primeiro-ministro, a UMP [União por um Movimento Popular], os deputados, os senadores da maioria estão lá para suar a camisa, explicar e recuar se necessário. Sua nomeação ou eleição não procedem totalmente da presidência?

O raciocínio vale, mas até certo ponto: quando a direita vê seus valores abalados (caso Mitterrand), a aura do chefe sofre com isso. Quando a prática presidencial passa para o autoritarismo, o mal-estar domina. O muro de silêncio pesa sobre o caso Jean Sarkozy, mas o que a voz da maioria diz em "off" soa como um alarme para o presidente.

Claro, o Palácio do Eliseu não está desesperado. Até agora, ninguém foi capaz de se erguer frente a Nicolas Sarkozy. Nem na oposição, nem na maioria, nem no centro. François Bayrou, que esperava unir os dissidentes da direita e da esquerda em uma crítica implacável ao sarkozysmo, foi esmagado pela eleição europeia. Seu colapso, assim como o do Partido Socialista, deram ao presidente a ocasião de ampliar um pouco mais seu campo.

Mas as previsões da maioria sobre as eleições regionais de março de 2010 tornam-se muito mais otimistas. No Parlamento, aparecem fissuras: o caso Clearstream, também perseguido com obstinação pelo presidente, reacendeu as antigas querelas entre sarkozystas e villepinistas.

Jean-François Copé, o presidente do grupo UMP na Assembleia Nacional, continua a ganhar influência. Patrick Devedjian, o antigo cúmplice a quem o presidente confiou a presidência da UMP em 2002, se tornou o alvo de Jean Sarkozy em Hauts-de-Seine. Tudo isso cria um clima. Para Nicolas Sarkozy, tornou-se urgente tranquilizar a direita.

Tradução: Lana Lim

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