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17/10/2009

A retomada do comércio mundial permite a recuperação da Alemanha

Le Monde
Em Berlim (Alemanha)
A notícia chega na hora certa para a chanceler democrata-cristã Angela Merkel e seus aliados liberais do Partido Democrata Livre (FDP, na sigla em alemão), vencedores das eleições legislativas de 27 de setembro: a economia alemã teve uma melhora e poderá até apresentar um crescimento de 1,2% em 2010, após uma recessão histórica de 5% em 2009. É o que preveem os principais institutos de pesquisa econômica em um relatório publicado nesta quinta-feira (15) em Berlim. Na primavera, os especialistas previam um recuo de 0,5% do produto interno bruto (PIB) em 2010, após uma queda de 6% em 2009.

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Graças à recuperação da demanda mundial, a Alemanha, grande exportadora, está vendo sua máquina econômica voltar a funcionar. Da mesma forma, o mercado de trabalho, que mostra espantoso vigor apesar da crise, não deverá ter um estouro do desemprego em 2010. Enquanto eles anunciavam, em abril, pouco menos de 5 milhões de desempregados em 2010, agora os institutos contam com 4,1 milhões de desempregados.

A grande procura pelo "Kurzarbeit" (programa de redução do número de horas trabalhadas para manutenção do emprego com subsídio do governo) e também pelo fundo de pensão com base no banco de horas até agora limitou o aumento do número de desempregados. Em setembro, o índice de desemprego até mesmo caiu ligeiramente, estabilizando-se em 8,2%, segundo coeficientes de variação sazonal.

Mas a principal economia da zona do euro continua em convalescência. "A retomada está acontecendo em um nível muito baixo", ressalta Roland Döhrn, especialista do Instituto de Pesquisas Econômicas de Essen, que participou da redação do relatório.

"O país continua a sofrer os efeitos da crise", explica Christian Dreger, do Instituto Berlinense de Pesquisas Econômicas (DIW). A recuperação da conjuntura internacional diz respeito sobretudo aos países em desenvolvimento, mercados pouco estratégicos para a indústria alemã. "A Europa Oriental, onde a crise perdura, é bem mais importante para a Alemanha do que a China", diz Dreger. Além disso, as exportações alemãs continuam bem abaixo do nível anterior à crise, e a demanda interna constitui um dos principais pilares do crescimento. "Mesmo que o desemprego aumente no próximo ano, o consumo do cidadão comum deverá permanecer estável, graças a uma inflação zero", acredita.

Além do mais, as medidas destinadas à retomada do crescimento, tais como o incentivo à compra de carros, logo terão o prazo vencido. Enfim, ainda que as perspectivas do mercado de emprego estejam menos preocupantes do que na primavera, elas estão longe de ser animadoras. "O recurso ao Kurzarbeit não poderá durar eternamente, pois isso aumenta os custos das empresas e diminui a produtividade", adverte Joachim Scheide, do Instituto de Economia Internacional de Kiel. Outro freio possível para a conjuntura, os institutos alertam contra um agravamento das condições de crédito para as empresas.

Consequência da recessão e dos custosos planos de estímulo, a situação das finanças públicas se degrada. Segundo os institutos, o déficit público deverá atingir 3,2% do PIB em 2009 e 5,2% em 2010. Nesse contexto, os especialistas estão muito céticos diante das promessas de reduções de impostos feitas pelas uniões cristãs CDU-CSU e seus aliados liberais do Partido Democrata Livre.

A tributação está no centro das atuais negociações de coalizão com o intuito de formar um governo. "A diminuição dos impostos se revelará muito cara, se for financiada por créditos", observam. Os institutos de pesquisa econômica propõem reduzir os gastos e extinguir vários abatimentos fiscais. Outros economistas pedem ao futuro governo que recorra ao aumento de impostos, especialmente o IVA (imposto sobre valor agregado). O instituto DIW é a favor de um aumento do IVA que chegue a 19%. "Esse imposto indireto tem a vantagem de não encarecer o custo do trabalho", resume Dreger.

Tradução: Lana Lim

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