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24/10/2009

"Jean Sarkozy é muito menos caricatural que seu pai", diz analista francês

Le Monde
Audrey Fournier
Le Monde: O senhor considera semelhantes os estilos de comunicação de Jean Sarkozy e de seu pai?
François Jost:
Não, para mim o filho se diferencia bastante do pai. Jean Sarkozy é hábil, pois soube evitar os defeitos de seu pai. Por seu recuo, ele mostrou que sabe colocar sua vida privada em adequação com a dos franceses, quando seu pai não hesitou em opor seu modo de vida vistoso com o de uma França em plena recessão. Jean Sarkozy evita as contradições, nisso ele é mais refinado que seu pai. Na forma, eu o vejo também bastante diferente do pai. Ele eliminou rapidamente todos os detalhes sobre os quais poderiam atacá-lo: não usa Rolex, não se deixa fotografar em férias em um iate... Sua apresentação também evoluiu muito em poucas semanas, seja o corte de cabelos, os óculos, o gestual... Ele dá provas de reatividade, de uma certa capacidade de adaptação.

O filho do presidente

  • Chirstophe Ena/AP

Le Monde: Jean Sarkozy tem interesse em se diferenciar de seu pai?
Jost:
Sim, é evidente. É verdade que encontramos em Jean Sarkozy a mesma arrogância contida que em seu pai, e que os dois têm o mesmo modo de se exprimir verbalmente. Dito isso, Jean Sarkozy tem um gestual mais sóbrio, ele é menos familiar em seu vocabulário e tem menos vícios de linguagem. Eu o acho muito menos caricatural que seu pai. Em todo caso, seu discurso é mais policiado, mais formal. Ele certamente tem interesse em apagar tudo o que possa lembrar o estilo de seu pai, notadamente essa tendência à teimosia. Vimos isso em sua intervenção na France 2 ontem à noite, quando ele admitiu que certas críticas eram fundadas. Mas ele não foi capaz de ir mais longe, de explicar quais críticas eram justificadas e por quê. Essa recusa a se dobrar, a admitir o erro, é bastante típica de Nicolas Sarkozy e ainda transparece muito em seu filho.

Sobre o entrevistado

François Jost é professor de ciências da informação na Universidade de Paris 3 - Nova Sorbonne. É autor do livro "50 fiches pour comprendre les médias", ed. Bréal

Le Monde: Jean Sarkozy tem um brilhante futuro, como querem alguns observadores?
JOST:
Eu o acho realmente muito surpreendente para seus 23 anos, pelo menos do ponto de vista da comunicação. Ao se retirar da corrida para a chefia do Epad [Estabelecimento Público de Urbanismo de La Defense], ele acaba de mostrar que é mais flexível que seu pai. Em curto prazo, é uma opção discutível pois ele estava plenamente sustentado pelo estado-maior da UMP [União por um Movimento Popular]. Mas em médio e longo prazo é uma escolha judiciosa. Ao contrário de seu pai, que abusou muito do "eu sou como sou", o filho prefere a sobriedade. Em três intervenções na televisão, seu estilo já evoluiu muito. Essa mudança é certamente um pouco visível demais, mas ela mostra pelo menos que Jean Sarkozy sabe assimilar as críticas. É uma enorme vantagem.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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