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28/10/2009

América Central é a região mais violenta do mundo, segundo o Pnud

Le Monde
Jean-Michel Caroit
Em Santo Domingo
A América Central é a região mais violenta do mundo, afirma o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em um relatório publicado na semana passada em San Salvador. "Com exceção de algumas zonas da África e da Ásia em guerra, essa região registra as taxas de homicídio mais elevadas do mundo, e essas taxas aumentaram ao longo dos últimos anos em quase todos os países da América Central", ressalta esse relatório.

América Central

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Quase 79 mil pessoas foram assassinadas nos sete países do istmo centro-americano (Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, El Salvador) nos últimos seis anos. O índice de homicídios da região, 33 para 100.000 habitantes, é três vezes mais alto que a média mundial. A epidemia de violência atinge particularmente os três países do Triângulo Norte (Guatemala, Honduras e El Salvador), onde os índices de homicídios ultrapassam 50 para 100.000 habitantes.

Entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2009, a polícia salvadorenha registrou 3.492 assassinatos, 1.008 a mais que durante o mesmo período no ano anterior.

Importante destino turístico, considerada pacífica, a Costa Rica não escapa do contágio. O número de assassinatos, ainda que continue abaixo dos países vizinhos, dobrou em oito anos (11 para 100.000 habitantes).

Alguns aspectos da atividade criminal são subestimados ou pouco conhecidos. É o caso, por exemplo, da violência sexual dentro das famílias, dos sequestros com pedido de resgate (raramente denunciados à polícia), ou da prostituição infantil que envolveria cerca de 50 mil menores na região.

O custo da violência representa 7,7% do produto interno bruto (PIB) regional, segundo o Pnud. "Além de seu custo econômico tangível, a violência influencia as decisões cotidianas da população e entrava o desenvolvimento humano. Um dos custos mais difíceis de quantificar é o das liberdades perdidas", observa Rebeca Grynspan, diretora regional do Pnud. "Todo mundo tem direito à segurança, e o Estado tem o dever de garanti-la. Sem segurança, não há investimentos, e sem investimentos não há empregos, e sem empregos não há desenvolvimento humano", resume Hernando Gomez Buendia, coordenador do relatório.

3 milhões de armas de fogo
Uma pesquisa publicada em 21 de outubro pela Universidade Centro-Americana (UCA) dá a medida da violência em El Salvador: 16,4% das pessoas entrevistadas foram vítimas da criminalidade nos últimos doze anos, e 55% da população vive com medo de sofrer alguma agressão.

A crescente insegurança provoca uma modificação dos comportamentos: dois em cada três habitantes evitam os lugares públicos por medo de agressões. 17% das pessoas entrevistadas pensam em deixar o país para fugir da violência, e 11% mudaram de número de telefone depois de sofrerem ameaças de morte.

O relatório do Pnud enumera as principais causas da violência: as desigualdades escancaradas, o desemprego, a marginalização dos jovens, a urbanização selvagem, a abundância de armas ilegais, o narcotráfico, a corrupção e a impunidade. Contam-se quase 3 milhões de armas de fogo na região, sendo que dois terços delas são de porte ilegal.

Quase 90% da cocaína consumida nos Estados Unidos passa pela América Central e pelo México. Grande parte da violência é associada ao narcotráfico e aos "maras", as gangues que contam mais de 70 mil membros na América Central.

A pesquisa da UCA chama a atenção para a falta de confiança da população nas instituições que supostamente deveriam combater a criminalidade: 45,7% dos salvadorenhos pensam que a polícia está envolvida na criminalidade, e 65% das vítimas de violência preferiram não denunciar às autoridades.

Soluções existem, afirma o Pnud, que cita experiências de sucesso em Medellín, na Colômbia, em Guayaquil, no Equador, ou em São Paulo, no Brasil. "Nem mão de ferro, nem luva de veludo, a estratégia de segurança civil requer um diagnóstico inteligente, e uma verdadeira vontade política, que respeite a democracia e o Estado de direito", afirma Rebeca Grynspan.

Tradução: Lana Lim

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