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29/10/2009

"Os talebans afegãos e paquistaneses não têm os mesmos objetivos", diz especialista

Le Monde
Amandine Schmitt
Karim Pakzad é pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), especialista em Sudeste Asiático. Ele fala sobre os atentados de Peshawar e Cabul ocorridos na manhã desta quarta-feira e analisa as relações entre os dois países.

Le Monde: Pode-se acreditar que os dois atentados ocorridos em Peshawar (Paquistão) e em Cabul (Afeganistão) estão ligados?
Pakzad:
Não penso que isso tenha sido programado para acontecer ao mesmo tempo. Os talebans afegãos e o Movimento dos Talebans do Paquistão não têm os mesmos objetivos. Os talebans afegãos querem atrapalhar o segundo turno das eleições previstas para 7 de novembro, ao passo que os talebans paquistaneses procuram simplesmente aterrorizar a população e desestabilizar o governo, em resposta à operação conduzida no Waziristão do Sul [desde 17 de outubro, mais de 30 mil soldados conduzem uma operação destinada a expulsar os combatentes islâmicos desse bastião taleban das zonas tribais fronteiriças do Afeganistão]. Entretanto, há uma ligação evidente entre os talebans paquistaneses e os afegãos. Eles fazem parte da mesma etnia, os pashtuns, ainda que se trate de tribos ou clãs diferentes. O movimento dos talebans do Paquistão nasceu da guerra no Afeganistão de 2007. O Waziristão do Sul, onde eles se refugiaram, faz fronteira com o sudeste do Afeganistão, a zona onde os talebans são mais radicais: certamente há influências.
  • AP

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Le Monde: Quais são as diferenças entre os talebans afegãos e os talebans originários do Paquistão?
Pakzad:
Os talebans paquistaneses são mais inspirados pela Al Qaeda. Os talebans afegãos sempre visam instituições, ministérios, como essa pensão de hoje que abrigava membros da ONU. Os atentados dos talebans do Paquistão muitas vezes acontecem em áreas lotadas de gente, mercados, e as vítimas são civis em sua maioria. Esse método lembra os atentados da Al-Qaeda no Iraque.

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Por que há conflitos nos dois países? O mundo tem motivos para se preocupar com a violência nos dois países? O que está sendo feito para combater os militantes?



Le Monde: Isso pode agravar as relações entre os dois países?
Pakzad:
O Afeganistão não reconhece a fronteira paquistanesa e julga que a zona pashtun lhe pertence. Suas relações sempre foram ruins, sempre houve uma animosidade. Hoje, o Afeganistão acusa o Paquistão de abrigar as tropas da Al-Qaeda, ao que o Paquistão responde que estas são originárias do Afeganistão.

Le Monde: O atentado perpetrado no Paquistão tem a ver com a visita de Hillary Clinton?
Pakzad:
Não, de forma alguma. Houve atentados quase todos os dias desde a grande ofensiva lançada pelo Paquistão no Waziristão do Sul. O objetivo dessa réplica para os talebans é transferir a guerra para fora do lugar onde eles vivem.

Tradução: Lana Lim

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