UOL Notícias Internacional
 

31/10/2009

Um relatório da ONU se preocupa com o rearmamento na Costa do Marfim

Le Monde
Philippe Bolopion
Em Nova York
Um novo adiamento das eleições presidenciais na Costa do Marfim é cada vez mais provável. "Se quisermos uma lista (eleitoral) transparente, sólida, confiável (...) não será possível manter o 30 de novembro (data prevista para a votação), isso me parece claro", confirmou, na quarta-feira (28), o presidente do Conselho Econômico e Social, Laurent Dona Fologo, um ex-opositor que passou para o campo do presidente Laurent Gbagbo, de quem se tornou próximo.

Esse enésimo adiamento (a eleição deveria ter acontecido em 2005) ocorre em uma situação tensa. Segundo relatório da ONU sobre a Costa do Marfim, "apesar do embargo sobre as armas, as partes marfinenses no norte e no sul estão se rearmando". Os especialistas da ONU, cujo relatório foi publicado na terça-feira, avisam que "se a situação política do país vier a se deteriorar, ameaçando os interesses econômicos de certas partes, não podemos excluir a possibilidade de uma escalada rápida da violência armada, especialmente no norte", nas mãos de ex-rebeldes das Forças Novas (FN).

Porque uma retomada dos combates "colocaria em perigo o controle político e econômico de diferentes partes sobre certas zonas do país", segundo os autores, "os riscos de conflito entre norte e sul diminuíram", eles amenizam.

Ambiguidades de Burkina Faso
O norte da Costa do Marfim é, segundo esse relatório, castigado por uma economia de tipo "feudal", com "comandos político-militares que disputam entre si (às vezes violentamente) o controle dos recursos naturais e do comércio". Os chefes de guerra locais não têm nenhum interesse na reunificação do país. "Eles exploram e exportam os recursos naturais, entre eles o cacau, o algodão, a madeira, a castanha de caju, o ouro e os diamantes", explicam os autores. E como o futuro é "incerto, os comandantes de zona voltam a se armar".

O governo marfinense, por sua vez, segundo o relatório, se contenta em "garantir seu controle sobre o sul". Em vez de fazer "concessões", o presidente Gbagbo esperaria que as Forças Novas "acabassem implodindo".

O exército marfinense, que segundo o relatório dispõe "de uma superioridade esmagadora", se preocupa sobretudo com "a oposição política (potencialmente violenta) no sul do país" e com sua militarização. O relatório dá como exemplo a criação, em julho, de uma "nova milícia" pelo Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI), do ex-presidente Henri Konan Bédié, o principal adversário da Frente Popular Marfinense (FPI) de Laurent Gbagbo.

Os especialistas da ONU julgam "particularmente preocupante a movimentação de armas e de munições entre o território de Burkina Faso e o norte da Costa do Marfim (tomado pelos rebeldes)". Segundo eles, "certos elementos" em Burkina Faso beneficiam tráficos provenientes da Costa do Marfim, e são "pouco inclinados a desejar a rápida reunificação política e administrativa da Costa do Marfim".

O relatório não aponta explicitamente o presidente burquinense Blaise Compaoré, que também é mediador do conflito na Costa do Marfim, mas ele avalia que "um Estado" muito provavelmente está envolvido nos tráficos de armas. Depois de ter estudado esse relatório, o Conselho de Segurança prorrogou, na quinta-feira, as sanções que pesam sobre a Costa do Marfim. O embaixador da Costa do Marfim na ONU, Alcide Djédjé, protestou contra medidas que ele considera "anacrônicas".

Tradução: Lana Lim

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