UOL Notícias Internacional
 

02/11/2009

Juanita Castro, irmã de Fidel, era agente da CIA

Le Monde
Jean-Michel Caroit
Em São Domingos
Juanita Castro, uma das irmãs mais novas de Fidel e Raul, foi nos anos 60 a "agente Donna" a serviço da Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), engajada numa guerra sem piedade contra a revolução cubana. É a principal revelação do livro "Fidel e Raul, Meus Irmãos - A História Secreta" que acabou de ser lançado em espanhol, assinado por Juanita Castro e a jornalista mexicana Maria Antonieta Collins.

  • AP

    Juanita castro, irmã do líder cubano, Fidel Castro, responde a perguntas na farmácia Notimex de sua propriedade na Little Havana, em Miami (EUA)



Mais do que uma revelação, trata-se de uma confirmação do papel de Juanita, 76, que mora em Miami (Flórida), onde há tempos tem uma farmácia. Dois antigos agentes da CIA, Phillip Agee e Ted Schackley, já haviam evocado as ligações dela com a agência norte-americana em suas obras.

Precedido de uma operação de marketing digna de Harry Porter, o lançamento de "Meus Irmãos - A História Secreta" foi acompanhado de uma série de conversas e da leitura de "melhores trechos" na Univision, a principal rede hispanofônica dos Estados Unidos, retransmitida em inúmeros países latino-americanos.

A quinta entre os sete filhos de Angel Castro e Lina Ruz, Juanita conta como ela primeiro apoiou a luta revolucionária de seu irmão Fidel contra a ditadura de Fulgencio Batista. Mas logo se desencantou, chocada com as execuções sumárias e as expropriações, e passou a esconder em sua casa contrarrevolucionários que ela ajudava a fugir da ilha.

Em 1961, Virginia Leitão da Cunha, a mulher do embaixador do Brasil, propôs que ela entrasse em contato com a CIA. As duas mulheres viajaram discretamente para o México, onde Juanita foi recrutada por Tony Sforza, um dos responsáveis pelas operações contra Fidel.

Armas e dinheiro
Ela aceitou sob condição de não participar de nenhuma ação contra a vida de seus irmãos e recusou-se a ser remunerada. A agente Donna transmitia informações e encaminhava dinheiro e armas. Ela afirma que foi a primeira a informar à CIA sobre a instalação de mísseis soviéticos na ilha, o que provocaria uma das crises mais graves da guerra fria em outubro de 1962.

Ela deixou a ilha em 1964, depois que seu irmão Raul a advertiu que a contraespionagem cubana tinha um amplo dossiê sobre suas "atividades contrarrevolucionárias". Logo que chegou ao México, ela denunciou publicamente a "traição da revolução" por parte de seu irmão Fidel.

Juanita descreve Fidel como um ser frio e egoísta, da mesma forma que Che Guevara. Ela não esconde sua preferência por Raul, que ocupa a presidência depois que Fidel ficou doente, retratado como um homem mais sensível e ligado à família.

Tradução: Eloise De Vylder

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