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04/11/2009

Novas especulações em torno do futuro presidente "estável" da UE

Le Monde
Jean-Pierre Stroobants
Em Bruxelas (Bélgica)
A designação do futuro presidente "estável" do Conselho Europeu resultará de um jogo de eliminação. Nesse estágio da prova, é o belga Herman Van Rompuy que parece ter a vantagem. Segundo a Agência France Presse, que citou uma "fonte diplomática europeia" anônima, "existe um consenso sobre seu nome, o que é raro entre os 27 [países-membros]". "Ninguém mais tem a unanimidade", explicou a mesma fonte.

Do lado belga, ainda se recusa a fazer qualquer comentário. Van Rompuy estava ausente de seu gabinete nesta segunda-feira, e seus principais ministros encontravam-se de férias. Fontes francesas e alemãs confirmam, de qualquer forma, que o primeiro-ministro democrata-cristão flamengo foi objeto de "tentações". Durante a cúpula europeia de 29 e 30 de outubro, Van Rompuy foi mais ou menos discretamente abordado.

A nova Europa salta o último obstáculo

A Europa volta a respirar com certo alívio. Depois de uma década de intensas negociações e de superar inúmeros obstáculos, o Tratado de Lisboa ficou pronto nesta terça-feira para entrar em vigor depois que o presidente tcheco, o eurocético Vaclav Klaus, cedeu e finalmente assinou um texto que já tinha sido ratificado pelos outros 26 membros da União Europeia. Com essa assinatura, só falta que os dirigentes europeus entrem em acordo sobre quem vai liderar a nova união para que o tratado seja uma realidade, previsivelmente entre dezembro e janeiro próximos.


Na ocasião dessa reunião, os chefes de Estado e de governo "quase enterraram a hipótese Tony Blair", segundo frase de um alto oficial do Conselho. O ex-premiê trabalhista definitivamente acumula defeitos demais: a ausência de seu país das "grandes políticas" da União, como a moeda única e o espaço Schengen, um atlantismo que o transformou em aliado evidente demais da administração Bush na guerra do Iraque.

Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo, sem se apresentar oficialmente como candidato, explicou ao "Le Monde" de 27 de outubro por que ele rejeitava a candidatura do ex-dirigente trabalhista. Ele havia assinado pouco antes, com seus colegas belga e holandês, um texto visto como uma moção anti-Blair. Juncker teria se juntado à linha de frente ao saber que tinha o apoio de outros Estados, entre os quais a Áustria e a Suécia. E aproveitou para traçar um retrato do futuro presidente do Conselho que parecia muito com ele. Mas ele suscita as reticências conjugadas de Nicolas Sarkzozy e Angela Merkel.

Um outro candidato agrada mais a Paris e a Berlim. É Jan Peter Balkenende, líder democrata-cristão do governo holandês. Ele continua a negar ser candidato, e dois dos três partidos de sua coalizão são hostis à sua partida para Bruxelas. Mais fundamentalmente, Balkenende também apresenta seus defeitos: seu país disse não ao projeto de Constituição europeia e o primeiro-ministro não conseguiu impedir a progressão de um sentimento eurocético, ou até eurófobo, entre os holandeses. Sua personalidade é considerada pouco empolgante, e ele também é ultra-atlantista.

Então resta o terceiro homem do Benelux. Aos 62 anos, Van Rompuy conseguiu pacificar seu país, após uma crise política interminável. Homem conciliatório, apreciado tanto pelos flamengos quanto pelos francófonos, ele adquiriu em pouco tempo uma imagem de sabedoria e de competência. Grande conhecedor das questões financeiras, esse poliglota teria impressionado seus colegas europeus com esse conhecimento e com sua inteligência, tudo isso dissimulado sob uma grande modéstia e acompanhado por um humor cáustico.

Seu defeito? Ele ainda não resolveu completamente as questões institucionais que envenenam a vida política belga. Ele havia assumido essa tarefa para os próximos meses. A outra dificuldade pode ser a questão de sua sucessão: ninguém, pelo menos do lado francófono belga, vê com bons olhos o retorno para o primeiro plano de Yves Leterme, colega de partido de Van Rompuy e atual ministro das Relações Exteriores...

Até a decisão dos 27 países-membros, que deverá ser durante uma cúpula europeia extraordinária em novembro, os prognósticos ainda podem mudar. "Os nomes da primeira onda não são necessariamente os vencedores da última", disse Nicolas Sarkozy em 30 de outubro.

Tradução: Lana Lim

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