UOL Notícias Internacional
 

06/11/2009

"O balanço de Mahmoud Abbas é totalmente catastrófico", diz especialista

Le Monde
Elise Barthet
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou nesta quinta-feira ao seu grupo político que ele não seria candidato a sua própria sucessão nas eleições gerais de 24 de janeiro. Entretanto, Jean-François Legrain, pesquisador do CNRS e autor de "Les Palestines du quotidien. Les élections de l'autonomie, janvier 1996" (As Palestinas do dia-a-dia. As eleições da autonomia, janeiro de 1996) duvida seriamente da realização das eleições gerais em janeiro de 2010.

Hamas rejeita acusações de Abbas e diz que anúncio foi "truque"

O movimento Hamas rejeitou hoje a acusação do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, de que os muçulmanos minaram o processo de paz no Oriente Médio, e qualificou de "truque" seu discurso em Ramala. "Abbas fracassou miseravelmente, seu discurso é um truque, uma manobra", disse à Agência Efe Ismail Radwan, um dos dirigentes do Hamas, pouco depois de o presidente palestino anunciar que não se candidatará à reeleição em 24 de janeiro.



Le Monde: Não é a primeira vez que Mahmoud Abbas ameaça jogar a toalha. Qual é o sentido hoje dessa declaração?
Legrain:
Ou Mahmoud Abbas realmente decidiu se recolher, ou trata-se de uma jogada de pôquer político. Por falta de um acordo prévio com o Hamas, que controla a faixa de Gaza, as eleições têm muito poucas chances de acontecer em janeiro de 2010. Seu anúncio pode ter valor de aviso aos Estados Unidos após a derrota registrada pela Autoridade Palestina sobre a questão do congelamento da colonização. Mas se Mahmoud Abbas espera voltar a ter controle, ele terá muita dificuldade para reencontrar um mínimo de legitimidade. Acusado de ter atrasado uma votação da ONU sobre o relatório Goldstone a respeito da guerra de Gaza, sua imagem sofreu consideravelmente com o encalhe das negociações com Israel, com a corrupção endêmica de seu movimento (o Fatah) e com as divergências persistentes entre as facções palestinas.

Le Monde: Quem poderia sucedê-lo à frente da Autoridade Palestina?
Legrain:
Como eu dizia, a realização de uma eleição em janeiro continua sendo muito hipotética. Se essas eleições não acontecerem, creio que um comitê de segurança pública da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) será instalado para cuidar das questões da Cisjordânia. O mais bem posicionado para dirigir tal órgão seria Mohammed Dahlan. Próximo de Mahmoud Abbas, ele tem o apoio dos norte-americanos. Mas Jibril Rajoub também tem suas chances. Menos odiado que Dahlan [ex-homem forte do Fatah em Gaza], ele conservou laços com a faixa de Gaza na época em que era presidente da Associação Palestina de Futebol, e seu irmão é deputado do Hamas. Por fim, certamente pode-se contar com Marwan Barghouti, que cumpre uma pena de prisão em Israel. Ainda que eu ache que sua popularidade seja superestimada, e que essa imagem de salvador da pátria seja muito artificial, é um concorrente sério.

Le Monde: Que balanço o senhor faz desses cinco anos de presidência?
Legrain:
Um balanço totalmente catastrófico. Não vejo nenhum ponto positivo a destacar. Gaza e a Cisjordânia estão separadas política e humanitariamente. As negociações com Israel estão em ponto morto. A Autoridade Palestina regrediu a ponto de se encontrar no estado da OLP anterior à guerra de 1967. Enfraquecida, ela voltou a se tornar uma caixa de ressonância dos interesses divergentes dos Estados árabes e das potências ocidentais. Todo o trabalho conduzido nos anos 1960 e 1970 para que a OLP fosse a representante única e legítima do povo palestino desabou. Hoje, é uma sombra que se alinha com a política do Fatah.

Tradução: Lana Lim

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