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14/11/2009

Premiê britânico se compromete a conter a imigração

Le Monde
Virginie Malingre
Em Londres (Inglaterra)
Pela primeira vez desde que entrou no número 10 da Downing Street, Gordon Brown falou amplamente sobre a imigração, na quinta-feira (12). "Sim, entendi", ele disse àqueles que o apressam a abordar o assunto há dois anos e meio, e mais ainda depois que a economia entrou em recessão. A imigração não deve ser um tema "tabu", se preocupar com ela não é sinônimo de "racismo", ele disse. Agora que todas as pesquisas o dão como derrotado, frente ao conservador David Cameron, nas eleições legislativas previstas para 2010, o primeiro-ministro quer reconquistar esse tradicional eleitorado do Labour Party que não lhe dá mais seus votos.
  • REUTERS/Dan Kitwood

As eleições europeias e as locais de junho mostraram um grande descontentamento da classe trabalhadora com o Partido Trabalhista, manifestado ao mesmo tempo por uma abstenção recorde e por um crescimento dos pequenos partidos. Em especial o do British National Party de extrema direita, que agora possui dois deputados em Estrasburgo. Segundo uma pesquisa encomendada pelo sindicato Unite, neste verão a imigração é a grande responsável por esse desamor, mais ainda do que o escândalo dos gastos excessivos de Westminster, ou até o desgaste dos trabalhistas após doze anos de governo. "Alguns se preocupam com uma imigração que levaria à diminuição de seus salários e limitaria as perspectivas de emprego de seus filhos. E os impediria de continuar vivendo perto de seus pais", resumiu Brown.

O primeiro-ministro se comprometeu, então, a fazer de tudo para que os britânicos tenham acesso prioritário aos empregos disponíveis em seu país. Uma versão atenuada de sua promessa, em 2007, de dar "empregos britânicos aos trabalhadores britânicos". Ele descartou limitar o número de imigrantes, como exigem os conservadores, uma vez que isso seria contrário às regras europeias. Mas ele anunciou um endurecimento das condições nas quais os não-europeus poderão vir se instalar no Reino Unido.

Após dez anos de forte avanço, a desaceleração

Asilo. Os pedidos de asilo passaram de 32.500, em 1997, para 84.300 em 2002. Houve uma queda e em 2008 foram 25.900.

Permissão de trabalho. Os europeus e os suíços são isentos dela. O Reino Unido concedeu 62.975 permissões em 1997. Depois, seu número continuou a aumentar, atingindo um recorde de 145.000 em 2006. Em 2008, Londres concedeu 112.485 delas.

Saldo migratório. A diferença entre o número de imigrantes e de emigrantes passou de 48.000 em 1997, para 237.000 em 2007 e 118.000 em 2008, em favor dos imigrantes.

Cidadania. Em 1997, 37.010 candidatos à cidadania britânica tiveram seu pedido atendido. Em 2007, eles eram 164.635, e em 2008, 129.375. Desde a chegada dos trabalhistas ao poder em 1997, quase 1,2 milhão de estrangeiros obtiveram a cidadania britânica.

A partir de fevereiro de 2008, estes últimos, tendo uma qualificação profissional, devem obter uma permissão de trabalho por pontos, inspirada no modelo australiano. O domínio do inglês, bem como uma certa autonomia financeira, são exigidos. Acima de tudo, eles devem se candidatar em um dos setores onde o ministério do Interior julgar que haja falta de mão-de-obra local.

É sobre essa base que o governo pretende jogar para limitar a imigração. Várias profissões - médicos especializados, engenheiros civis ou aeronáuticos, oficiais de marinha mercante - não serão mais acessíveis aos não-europeus, anunciou Brown. A lista que representava 700 mil empregos, um ano atrás, e 500 mil hoje, será ainda mais restrita em 2010.

Além disso, ele continua, os empregadores deverão anunciar suas ofertas de emprego na Grã-Bretanha durante um mês, contra duas semanas hoje, antes de procurar em outros lugares. Ainda com a preocupação de favorecer os britânicos, o primeiro-ministro quer criar, em colaboração com as empresas, cursos de formação que correspondam justamente às necessidades em mão-de-obra do país.

Brown sabe que ele só responde parcialmente ao mal-estar de uma parte das classes populares. Pois ele só fala dos imigrantes não-europeus, ao passo que a Grã-Bretanha assistiu, nos últimos anos, a uma chegada em massa de poloneses e outros vizinhos do Leste Europeu. Desde sua adesão à União Europeia em 2004, quase um milhão deles atravessaram a Mancha. O fechamento das fronteiras em 2005 aos não-europeus sem qualificação não bastou para compensar o fluxo.

Ademais, é comum que agências forneçam equipes de trabalhadores europeus - italianos, portugueses, etc. - a empresas para efetuar missões de curta duração. No início do ano, foram vistas, no setor de energia, greves espontâneas de empregados britânicos que denunciavam essas práticas, geralmente acompanhadas de salários baixos e condições difíceis de trabalho, eles afirmavam. A partir de agora, prometeu Brown, esses imigrantes temporários deverão ser remunerados com os mesmos valores que seus colegas locais, quando passarem mais de doze semanas sobre solo britânico.

Todas essas medidas, afirmou Brown, que também quer reduzir o número de vistos concedidos aos estudantes estrangeiros, constituem "uma reforma fundamental" da política britânica em matéria de imigração. Uma coisa é certa, a Grã-Bretanha não pode mais evitar um assunto do qual ela fugiu durante anos.

Quando Tony Blair foi eleito em 1997, o saldo migratório era só ligeiramente positivo. Os dez anos seguintes, marcados por um forte crescimento, viram chegar centenas de milhares de pessoas. Entre 2001 e 2007, a população britânica cresceu em 2 milhões de habitantes, atingindo 60,9 milhões, principalmente pelo efeito da imigração.

Até 2029, avalia o Instituto de Estatísticas Nacionais, ela passará dos 70 milhões. Entre os recém-chegados e os filhos dos imigrantes já no local, a imigração deverá responder por dois terços desse crescimento.

Tradução: Lana Lim

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