UOL Notícias Internacional
 

21/11/2009

Israel esforça-se para comprometer interesses de Obama

Le Monde
Caroline Fourest
O governo israelense decididamente faz tudo que pode para comprometer os esforços de Barack Obama. A decisão de autorizar a construção de mais 900 casas nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental "consternou" o presidente americano. Uma afirmação como essa marca um ponto de virada nas relações americanas e israelenses. Sem que ainda se possa prever seu impacto.

"Agora ou nunca" ("Aujourd'hui, ou peut-être jamais", Ed. André Versaille): é o título do apelo de Élie Barnavi por "uma paz americana no Oriente Médio". Um relato preciso e potente. Ele nos lembra dos entraves encontrados pela paz nos dois lados. Ele espera que o entusiasmo impulsionado por Obama possa nos tirar do mais longo conflito contemporâneo. Os acordos existem, os planos estão prontos há muito tempo, nos mínimos detalhes... Só falta a determinação política e os interlocutores para assinarem. Não é pouca coisa.

Deve-se admitir que hoje, certamente mais do que antes, o governo israelense carrega a responsabilidade do bloqueio. Ao teimarem em perder o prazo, os extremistas da causa israelense reforçaram os extremistas da causa palestina: os Irmãos Muçulmanos do Hamas. Os fanáticos de cada lado esgotaram a razão - frágil - desta região. Hoje, Israel se encontra frente a dois embriões do Estado palestino. Um cresce à sombra de um interlocutor impossível, que quer sua morte, e o outro, nas mãos de um interlocutor desacreditado e impotente: Mahmoud Abbas.

Na teoria, a divisão entre Gaza e a Cisjordânia poderia jogar em favor da paz. Em um mundo ideal, a Autoridade Palestina se autoproclamaria "Estado palestino" com a aprovação da comunidade internacional, normalizaria suas relações com Israel, e em seguida negociaria em posição de força com o Hamas a respeito de Gaza.... mas para que a Autoridade Palestina esteja em posição de força, é preciso que ela obtenha ao menos o congelamento dos assentamentos. É o que Barack Obama pede. E é o que Israel recusa.

Gostaríamos de acreditar que mais essa intransigência é uma tentativa final desesperada de conseguir uma moeda de troca antes de ceder os territórios ocupados. Infelizmente, há muito tempo que o acúmulo de moedas de troca do lado israelense parece com um tudo ou nada suicida.

Ao utilizar os assentamentos como escudos humanos, Israel acaba mantendo um fanatismo que não é o menor de seus inimigos "internos". As Forças de Defesa de Israel estão infiltradas por militares ortodoxos que combatem em nome de Deus, e não mais em nome da nação. A violência desproporcional com a qual o exército israelense respondeu ao ataque de foguetes do Hamas mostra essa perda de razão.

O fato de que os Estados Unidos mais uma vez tiveram de impor seu veto, para impedir uma nova acusação de Israel em relação ao relatório Goldstone sobre a guerra de Gaza, enfraquece um pouco mais a posição americana para impor a paz. Se Obama não obtiver em troca o congelamento dos assentamentos, não restará mais nada de sua promessa, e, portanto, de sua força diplomática.

Em compensação, a página Bush foi virada. A ilusão de um choque entre um bloco muçulmano e um bloco ocidental acabou. Do lado "ocidental", a mudança de tom americana e a firmeza europeia frente a Israel não devem deixar mais dúvidas sobre esse fato. Quanto ao "bloco muçulmano", ele nunca existiu fora das alianças de fachada na ONU. É hora de redescobri-lo. Entre o Irã e a Arábia Saudita, a guerra fria volta a esquentar. Xiitas e sunitas não se confrontam mais somente no Iraque, mas também no Iêmen e no Paquistão.

As alianças estão mudando de campo. A teoria do "choque de civilizações" - que serviu de modelo, ou, pelo contrário, de contraste durante o pós-11 de setembro - não tem mais nenhum interesse. As questões perdem seu caráter confessional para aparecerem em sua triste nudez: a dos conflitos de interesses.

Tradução: Lana Lim

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