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25/11/2009

Em Puebla, no México, táxis rosa são reservados às mulheres

Le Monde
Em Puebla (México)
Maria Lopez não passa despercebida ao volante de seu táxi rosa claro. Na praça principal da cidade colonial de Puebla, a 120 km da Cidade do México, os curiosos se aproximam. "É reservado às mulheres", diz a jovem morena que dirige um dos 35 Pink Taxis destinados às mulheres e administrados por mulheres.

Uma cliente sobe no banco de trás do Chevrolet Chevy novo em folha. Após uma olhada no retrovisor, Maria se junta ao fluxo dos carros. Atrás, sua cliente, uma advogada, retoca sua maquiagem diante de um dos dois espelhos afixados no encosto dos bancos dianteiros. "É bom poder se deslocar sem sofrer as observações sexistas do chofer nem ter medo de ser agredida", ela diz.

Inspirado no Pink Ladies Cabs de Londres, o conceito, lançado em 6 de outubro, logo fará escola em outras cidades mexicanas. A iniciativa é bem vista pelas mulheres, vítimas do machismo prevalente. "O objetivo é a segurança", comenta Maria, cujo táxi é equipado com um GPS e um botão de pânico sob o volante, conectados aos serviços de polícia. Acessível 24 horas por dia por telefone ou por internet, seu veículo também é dotado de um terminal de cartão de débito bancário para limitar os riscos de roubo com agressão.

Como a maior parte de suas colegas, Maria nem sempre foi taxista. Ex-vendedora de roupas a domicílio, essa mãe solteira de cinco filhos sujou as mãos de graxa, aprendeu primeiros-socorros e autodefesa durante as 160 horas de formação financiadas pelo Estado de Puebla.

Com 40 corridas por hora, duas vezes mais no fim de semana, os 35 Pink Taxis parecem estar mostrando a que vieram, apesar das tarifas 10% mais altas que as dos táxis tradicionais. "Essa política de prevenção está tendo um grande sucesso", comemora Valentin Meneses, secretário encarregado dos Transportes, que prevê dobrar o número de táxis rosa em Puebla, antes de lançá-los em três outras cidades do Estado.

A prefeitura da Cidade do México deve seguir seus passos: "Estamos estudando um serviço similar para 2010", anuncia Ariadna Montiel, diretora da rede de transporte da capital. Há dez anos, nessa megalópole de 20 milhões de habitantes, alguns vagões de metrô são proibidos aos homens nos horários de pico. Desde janeiro de 2008, o programa Atenea completa o sistema, com 67 ônibus reservados às mulheres. "Isso evita as bolinações. Além disso, esses ônibus são menos cheios do que os outros", explica uma motorista, recusando o acesso a um homem. "Somente os senhores acompanhados de uma criança podem subir. Pegue o próximo!"

No Instituto das Mulheres da Cidade do México (Inmujeres), a diretora Martha Lucía Mícher explica que "essas iniciativas respondem a uma necessidade real, em uma sociedade onde os homens pensam que o corpo das mulheres lhes pertence".

O desafio é grande: 87 estupros em táxis foram denunciados em 2008 na capital. "O número é ainda maior, mas eles nunca são denunciados", lamenta. Pior, uma mulher é assassinada a cada seis horas no México e 67% das mexicanas dizem ter sofrido algum tipo de violência sexista, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

"A ideia é mudar a mentalidade por meio de ações que causem uma impressão profunda nas pessoas", explica Tania Enriquez, diretora de políticas públicas da Comissão Nacional de Erradicação da Violência Contra as Mulheres.

Ela reconhece, entretanto, que "sem uma verdadeira política educativa, essas ações podem ter somente um impacto limitado". Ainda mais por não terem unanimidade, como explica a jornalista Diana Blanco: "De um lado se milita pela igualdade dos sexos, de outro utiliza-se de meios de transporte que discriminam os homens. Além disso, pintar os táxis de rosa reforça os estereótipos". E o que os homens pensam a respeito? "Alguns são contra, mas eu prefiro saber que minha mãe e minha mulher estão em segurança", responde o técnico em informática Eric Ponce.

Com seus 4 milhões de passageiras anuais, o programa Atenea ainda é modesto. "A ideia pode não ser revolucionária, mas cria empregos para as mulheres", conclui Maria. Um argumento de peso em um país que conta mais 900 mil desempregados neste ano.

Tradução: Lana Lim

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