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01/12/2009

Dubai decide virar a página do excesso

Le Monde
Jérôme Fénoglio Enviado especial a Dubai
Nos últimos tempos, Dubai gostaria de inverter os papéis, e ser visto como um oásis de moderação em um mundo de exageros. A capital mundial da exuberância estima que desta vez o excesso se encontra do lado daqueles que lhe prometem a falência, após o anúncio do pedido de moratória para as dívidas de um de seus principais conglomerados, o Dubai World, em 25 de novembro. À angústia que tomou conta dos mercados mundiais, considerada desproporcional, os dirigentes do emirado procuraram opor a garantia de que eles haviam agido de acordo com uma estratégia "planejada cuidadosamente".
  • Steve Crisp/Reuters

    Reação O pedido de moratória da dívida de Dubai provocou profunda preocupação por todo
    o mundo financeiro. Os preços das ações nas bolsas europeias e asiáticas despencaram

Esse planejamento parece ter consistido sobretudo em esperar a semana de férias: da sexta-feira (27), com a Festa do Sacrifício, até a quarta-feira (2), dia da festa nacional dos Emirados Árabes Unidos, do qual Dubai faz parte. Como se esse período oferecesse a ocasião de mostrar que a cidade permanece concentrada sobre as duas atividades que fizeram sua reputação: receber e vender.

Os aviões da companhia Emirates, a joia de Dubai, atraíram os turistas com as tarifas promocionais oferecidas pelos grupos hoteleiros. No domingo, essas multidões globalizadas se acotovelavam nos gigantescos centros comerciais da cidade. Havia fila para o teleférico da pista de esqui que faz a glória do Mall of Emirates. Essa frequência confirma a constatação feita por vários residentes: desde setembro Dubai está tendo uma retomada nas atividades, depois de praticamente ter se paralisado, no início do ano, sob efeito da crise mundial e do estouro da bolha imobiliária local. "Aqui, após a inauguração, no fim de 2008, parecia um palácio fantasma", explica um casal de indianos, sentados à beira da pista de patinação, de tamanho olímpico, de Dubai Mall, galeria comercial aberta na parte de baixo de Burj Dubai, o mais alto arranha-céu do mundo. "Está só começando a se animar".

Neste outono, a volta dos engarrafamentos quase foi vista como um sinal reconfortante. Antes do verão, a circulação havia enfraquecido após os congestionamentos dos anos de expansão. Até os inúmeros guindastes - um sexto do total mundial estaria concentrado em Dubai - foram recolocados em funcionamento parcialmente por operários em condições de vida precarizadas pela crise. No máximo uma em cada duas obras parece ativa nas florestas de prédios que levarão mais tempo que o previsto para se parecer com bairros estruturados, se um dia conseguirem.

A essas obras colossais, o emirado teve a imprudência de acrescentar projetos extravagantes, como as famosas ilhas artificiais. Somente um conjunto, uma "palmeira", ainda longe de estar totalmente urbanizado, foi terminado. Os outros montes de areia parecem estar destinados a se desintegrar nas águas do Golfo. E junto com eles, os sonhos de centro do mundo alimentados pela cidade que havia fundamentado tudo sobre sua imagem, por não poder contar com recursos petrolíferos. Esse tudo ou nada, onde a especulação imobiliária estimulou a supervalorização arquitetural e vice-versa, não sobreviverá à crise.

E então ela riscará Dubai da lista de cidades que contam? "Isso seria esquecer a vantagem que ela tem por sua situação geográfica no centro de uma imensa bacia de população que vai da Índia até a África", acredita Philippe Dauba-Pantanacce, economista da Standard Chartered, em Dubai há dois anos. "O emirado também conta com a economia bem real de seu porto de Djebel Ali, terceiro do mundo, e com seu aeroporto, o sexto mais movimentado".

Cobertura completa da crise

  • UOL


Reestruturação

As partidas dos expatriados não tomaram a forma do êxodo maciço que às vezes é descrito: "Tenho amigos que perderam o emprego, sobretudo no setor imobiliário, mas que encontraram outro", ele diz. "Mesmo que eles não trabalhem em Dubai, mas um pouco mais afastados, oito em cada dez expatriados preferem ficar porque a infraestrutura é melhor, e a vida, mais agradável", acredita Olivier Sagot, executivo em uma empresa europeia. "Com a queda de 50% no preço da moradia, esse movimento pode até se ampliar".

Na verdade, essa baixa já reestruturou as mudanças locais. Residentes de Dubai puderam ter acesso a moradias de padrão mais alto, liberando lugares para os trabalhadores menos ricos que haviam se instalado no emirado vizinho de Sharjah, subúrbio-dormitório de Dubai. Muitos moradores de Dubai encontraram trabalho em Abu Dhabi, apoiado em sua renda petroleira, a uma hora e meia de estrada. Eles escolheram fazer o trajeto todos os dias. A autoestrada entre os dois emirados fica congestionada nos horários de pico, como um símbolo das relações mais frequentes e mais estreitas que se estabelecerão entre os dois membros principais dos Emirados Árabes Unidos.

Tradução: Lana Lim

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