UOL Notícias Internacional
 

07/12/2009

Suíça, um país sem amigos

Le Monde
Agathe Duparc
Em Genebra (Suíça)
"Os anos 2000 terminaram num tipo de pânico: nós tomamos consciência de que não podíamos mais prolongar o status quo porque ele nos deixa sem aliados e sem meios de ação, mas não sabemos que outra direção tomar". No fim de julho, Joëlle Kuntz, historiadora e editorialista do jornal "Le Temps", relatou assim a constatação de uma Suíça que se sentia isolada, que havia perdido o bonde da União Europeia (UE) e se encontrava desprovida de amigos.

O referendo contra a construção de minaretes, realizado no domingo, 29 de novembro, não deve consertar as coisas. Há alguns dias, o pequeno país de 7,7 milhões de habitantes foi catapultado às manchetes da mídia internacional, relançando o debate sobre o radicalismo islâmico na Europa. As direitas populistas aplaudiram, mas as críticas vieram de todos os lados. Algumas visavam a própria essência da Suíça, a democracia direta. O eurodeputado verde Daniel Cohn-Bendit simplesmente convidou os suíços a votarem novamente, enquanto o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, os exortou a "voltar atrás o mais rápido possível em relação a esse erro".
Mais uma vez, a Suíça sente que está sozinha contra todos. Hoje, é por causa de seu sistema político. Há alguns meses, era por causa de seu sistema fiscal. Depois de ter se recusado, durante décadas, a colaborar com os países estrangeiros quanto à evasão fiscal (sob pretexto de que esta não é uma infração penal de acordo com o Direito suíço), o governo aceitou em março submeter-se aos pedidos de troca de informações. Em uma semana, boa parte do sigilo bancário caiu, sob pressão dos países do G20, este novo clube internacional do qual a Suíça não faz parte, apesar do dinamismo de sua economia. Alguns meses antes, o escândalo fiscal desencadeado por práticas consideradas fraudulentas por parte do principal banco do país, UBS, já havia criado as condições para o que foi visto como um ataque formal contra a praça financeira suíça.

Em matéria de política externa, a Suíça está igualmente paralisada no caso do clã Kadhafi, que, desde o verão de 2008, tenta lavar a honra da família, ridicularizada depois que o filho do coronel, Hannibal, foi interrogado em Genebra e acusado de ter cometido lesões corporais graves contra suas empregadas domésticas. Na terça-feira, 1º de dezembro, os dois suíços presos em represália há mais de um ano em Trípoli foram condenados a 16 meses de prisão por violação das regras dos vistos. De nada adiantaram as desculpas apresentadas em Trípoli neste verão pelo presidente da Confederação Helvética, Hans-Rudolf Merz. O país se sentiu isolado, uma vez que o dirigente líbio, Mouammar Kadhafi, que pediu repetidas vezes "o desmantelamento" da Suíça, reintegra-se pouco a pouco à comunidade internacional.

Por fim, num caso totalmente diferente, Berna teria com certeza passado melhor sem a prisão de Roman Polanski, em 26 de setembro, em Zurique. Quando o cineasta franco-polonês foi convidado para um festival de cinema, um funcionário helvético avisou às autoridades norte-americanas sobre a chegada do cineasta ao território suíço, desencadeando o procedimento de prisão. Um gesto isolado, que reforçou a caricatura de uma Suíça invejosa e delatora.

Tradução: Eloise De Vylder

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