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08/12/2009

O regime norte-coreano tenta controlar o crescimento da economia paralela

Le Monde
Philippe Pons Em Tóquio (Japão)
A valorização da moeda norte-coreana suscita interpretações divergentes da parte de especialistas de um dos países mais fechados do mundo. Essa medida visa frear a inflação e as transações no mercado negro. Ela também tenta recuperar o won, não conversível fora da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte). As transações com o exterior são feitas em yuans, em euros ou em dólares. Antes da valorização, 1 euro valia de 200 wons na cotação oficial até 5.800 no mercado negro.

Anunciada em 30 de novembro no rádio e por alto-falantes, essa valorização - a primeira em 17 anos - causou confusão e frustração por todo o país. Segundo fontes sul-coreanas na fronteira entre a China e a Coreia do Norte, teria havido expressões esporádicas de descontentamento popular, bem como pichações criticando o regime.

A população teve até dia 6 de dezembro para trocar as cédulas antigas por novas: 1 novo won equivale a 100 wons antigos. Mas um "teto" (de 100 a 150 mil wons) foi fixado para a quantia que pode ser trocada individualmente.

Teria o regime procurado reprimir o descontentamento? Em Pyongyang, longas filas se formaram diante de lojas de produtos importados, com pessoas que queriam se "livrar" das cédulas antigas. Casas de câmbio clandestinas ficaram lotadas e a cotação das divisas disparou.

"O regime declarou guerra contra as forças do mercado", avalia Nam Ju-hong, especialista em Coreia do Norte, citado pelo jornal sul-coreano "Chosun Ilbo" (direita). A emissão de novas cédulas visa, se não reprimir, pelo menos controlar um mercado paralelo que vem se desenvolvendo desde 2002, após uma série de medidas que concederam uma maior autonomia às empresas. Ainda que o regime tenha, em seguida, buscado controlar as transações legais e paralegais, boa parte lhe escapou.

Prelúdio para a abertura?
Ao impor um teto às quantias passíveis de serem trocadas por cédulas novas, o regime arruinou os pequenos empresários e comerciantes do mercado paralelo que tinham wons debaixo do colchão. Os negociantes atacadistas de elite, detentores de divisas, se saíram melhor, e o resto da população é pobre demais para ser afetada. A camada intermediária é que foi atingida.

O crescimento da economia paralela, que encorajou uma corrupção que se tornou endêmica, facilitando o contrabando e um próspero mercado negro, se traduziu por uma disparidade crescente entre aqueles que "nadam seguindo a corrente" e a maioria que sofre. Essa valorização é a mais rígida das medidas que visam controlar uma economia subterrânea cujos efeitos (diferenças sociais, iniciativas individuais que afetam os ideais coletivistas) comportam, aos olhos do regime, riscos políticos.

"Vitória de curta duração que poderia abalar a legitimidade do regime", como pensa Rudiger Frank, especialista em Coreia do Norte na Universidade de Viena, ou "prelúdio para uma abertura maior da economia", segundo Paik Hak-soon, do Instituto Sejong em Seul? Essa valorização também poderia procurar regular as relações comerciais entre a China e a Coreia do Norte, das quais boa parte escapa das autoridades, mantendo um centro de ilegalidade na fronteira.

Tradução: Lana Lim

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