UOL Notícias Internacional
 

12/12/2009

Filipinas descobre a amplitude das extorsões praticadas por uma milícia

Le Monde
Jacques Follorou
Três semanas após o massacre de 57 civis - entre os quais 26 mulheres e jornalistas - por milicianos armados no sul das Filipinas, na ilha de Mindanao, o país descobre aos poucos a extensão das extorsões cometidas há anos por um exército privado a serviço de Andal Ampatuan, governador da província de Maguindanao. Este último e dois de seus filhos foram presos.

A instauração da lei marcial, em 6 de dezembro, ainda não permitiu que as autoridades de Manila retomassem o controle desse território onde confrontos esporádicos aconteciam na quarta-feira (9). "Segundo nossas informações, eles estão preparados para combater o governo", garantiu, na terça-feira, o general Raymundo Ferrer, chefe das forças armadas de Maguindanao, segundo o qual essa milícia teria "quase 3 mil homens".

As forças armadas filipinas mobilizadas em Maguindanao, uma das quatro províncias de maioria muçulmana da ilha de Mindanao, foram alvo de tiros enquanto tentavam se apoderar de esconderijos de armas, dos quais muitos já foram descobertos. Ali se encontravam dezenas de fuzis metralhadoras, centenas de milhares de cartuchos, veículos blindados, armas anti-blindados, morteiros.

Além disso, foram feitas buscas para encontrar valas coletivas onde "mais de 200 vítimas" dessa milícia teriam sido jogadas após serem executadas. Segundo a comissária filipina para os direitos humanos, desde que o governador e membros de seu clã foram detidos, "testemunhas começaram a se manifestar para indicar onde se localizam as valas".

Apesar de membros do governo e a presidente Gloria Arroyo terem prometido a maior severidade para os membros do clã Ampatuan e o julgamento rápido dos responsáveis pela carnificina de 23 de novembro, o general Gerrer enfatizou a parte de responsabilidade das autoridades de Manila nos excessos do clã Ampatuan. Ele reconheceu, no domingo, que as autoridades haviam utilizado a milícia do governador de Maguindanao para conter a insurreição separatista muçulmana do sul da ilha de Mindanao. "O problema", ele concluiu, "é que eles se tornaram incontroláveis".

Além disso, a família Ampatuan era um aliado político próximo da presidente Arroyo nessa região do sul. O governador Andal Ampatuan foi excluído, no dia seguinte ao massacre de 23 de novembro, da coalizão de partidos que levou a presidente ao poder. Os adversários políticos da presidente suspeitam que ela tenha negociado, durante anos, uma forma de impunidade ao clã Ampatuan em troca de sua intervenção contra os separatistas muçulmanos. A presidente deverá hoje enfrentar os "monstros" que ajudou a criar e proteger.

O massacre de 23 de novembro, uma emboscada que teria mobilizado, segundo a polícia, mais de 160 pessoas, teria sido destinado a afastar Esmael Magudadatu, um concorrente político local do clã Ampatuan para as próximas eleições previstas para 2010. Sua esposa, sua irmã e sua tia foram mortas durante o massacre.

As testemunhas, entre as quais jornalistas, não foram poupadas. As valas coletivas poderiam conter os corpos dos opositores locais ao clã Ampatuan, mas também os dos rebeldes muçulmanos do sul do arquipélago. Os separatistas da Frente Moro de Libertação Islâmica (MILF, sigla em inglês) reivindicam há trinta anos um Estado islâmico independente nesse país 85% católico.

As relações entre a MILF e os sucessivos governos oscilaram entre o confronto armado e o diálogo. Em 2003, os rebeldes haviam aceitado assinar um cessar-fogo e abriram negociações com a presidente Arroyo. Essas discussões foram interrompidas em 2008 e os combates retomados, obrigando 150 mil civis a fugirem da zona de combates. Em 2009 o conflito havia "diminuído em intensidade", segundo a ONU.

Tradução: Lana Lim

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