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16/12/2009

Na Finlândia, policial é julgado por não ter conseguido impedir um massacre em uma escola

Le Monde
Olivier Truc Em Estocolmo (Suécia)
O julgamento de um policial, acusado no caso do massacre perpetrado há um ano em uma escola finlandesa, terminou na segunda-feira (14). Mais de vinte famílias entraram com processo nesse caso que emocionou o país. O policial é acusado por erro profissional, e por isso pode receber uma multa. Mas as famílias das vítimas querem vê-lo condenado por homicídio decorrente de negligência. Nesse caso ele receberia no mínimo quatro meses de prisão e perderia seu emprego.
  • AFP

    Negligência Dias antes da chacina, um vídeo suspeito fora visto no YouTube, no qual Matti Saari dava vários tiros na direção da câmera. A polícia foi avisada e logo iniciou uma investigação. Não conseguiram contatar o chefe de polícia do distrito responsável. Seguindo o procedimento padrão, os policiais pediram instruções ao chefe do distrito vizinho, que autorizou que retirassem a arma do estudante. Mas quando o comissário do distrito responsável soube da operação, ele a interrompeu e anunciou que convocaria o estudante depois



Um vídeo suspeito
Em 23 de setembro de 2008, Matti Saari, estudante em uma escola profissionalizante de Kauhajoki, matou dez alunos antes de se suicidar. Essa matança foi, em muitos pontos, similar àquela que ocorreu em outra escola finlandesa, em Jokela, em novembro de 2007, quando Pekka-Eric Auvinen, um estudante de 18 anos, assassinou oito pessoas antes de se matar. Por causa desse primeiro massacre, as autoridades finlandesas haviam se sensibilizado a determinados comportamentos. E, justamente, no caso Kauhajoki, os alertas funcionaram. É a outra tragédia desse caso: várias pessoas próximas e até policiais haviam soado o alarme.

Na sexta-feira, quatro dias antes da chacina, uma vela acesa foi vista diante de uma janela da escola. Esse sinal logo preocupou várias testemunhas, ainda mais que um vídeo suspeito fora visto no YouTube, no qual Matti Saari dava vários tiros na direção da câmera. A polícia foi avisada e logo iniciou uma investigação. Não conseguiram contatar o chefe de polícia do distrito responsável. Seguindo o procedimento padrão, os policiais pediram instruções ao chefe do distrito vizinho, que autorizou que retirassem a arma do estudante. Mas quando o comissário do distrito responsável soube da operação em curso, ele a interrompeu e anunciou que convocaria o estudante na segunda-feira. "Uma razão pela qual ele interrompeu a operação é que ele não havia aceitado que o chefe do distrito vizinho tomasse essa decisão que infringia suas prerrogativas", acredita o advogado das famílias, Lasse Vuola.

Na segunda-feira, véspera do massacre, Matti Saari foi interrogado pelo comissário que hoje é acusado. Este não retirou sua arma. Por quê? "Saari não ria e também não brincava. Ele parecia ser um jovem em quem se podia confiar", respondeu o policial durante o julgamento, dizendo que o estudante não mostrava nenhum sinal de nervosismo.

As famílias desmoronaram com esse caso, e elas têm a impressão de que nada foi feito para impedir que isso acontecesse novamente. Entretanto, foram tomadas medidas em matéria de treinamento, de legislação sobre armas, de vigilância da internet e de luta contra o assédio nas escolas. Mas para as famílias, a impressão permanece: foi feito muito pouco. "A Finlândia é um país violento", diz o advogado Lasse Vuola, "e nada de sério foi feito desde Jokela". O veredicto é esperado para o fim de dezembro.

Tradução: Lana Lim

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