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17/12/2009

Ali, 36 anos, iraniano e primeiro "refugiado" gay na Espanha

Le Monde
Jean-Jacques Bozonnet
Em Madrid (Espanha)
Pelo telefone, Ali só contou a sua mãe que tinha "os documentos". Esse iraniano de 36 anos não explicou que, desde segunda-feira (14), ele é o primeiro estrangeiro a obter direito de asilo na Espanha em razão de uma "perseguição por (sua) orientação sexual". A partir de agora, esse motivo é explicitamente previsto na nova lei sobre o direito de asilo adotado há algumas semanas.

A família de Ali que permaneceu no Irã desconhece sua homossexualidade, e nunca soube por que seu filho aparentemente sem problemas, que trabalhava em uma agência de empregos, havia deixado bruscamente o país um ano atrás. Até então, Ali - um pseudônimo que ele adotou por medo de represálias contra sua família - não tinha escolha além de esconder seu segredo, e viver seu relacionamento em clandestinidade. O Irã é um dos nove países do mundo que prevê pena de morte para o homossexualismo.

No outono de 2008, a polícia fez uma batida em uma festa de aniversário, organizada de forma discreta pela comunidade gay em um apartamento de Teerã. Detido, espancado e insultado, ele só foi libertado depois de uma semana, graças à fiança paga pelo seu parceiro. Na época, cerca de doze homossexuais acabavam de ser condenados à pena capital, entre os quais Nemat Safavit, um adolescente de 16 anos. Eles aguardam a execução, apesar de inúmeros protestos internacionais junto ao governo iraniano.

Subterfúgio
Então Ali fugiu, investindo todas suas economias (o equivalente a 9 mil euros) em um visto espanhol fornecido pela máfia. Assim que chegou ao aeroporto de Madrid-Barajas, em dezembro de 2008, ele pediu asilo político. Não é a primeira vez que um homossexual (ou um transexual), perseguido em seu país, é acolhido na Espanha, mas até então era preciso utilizar um subterfúgio, uma vez que o caso não era reconhecido pela lei.

Em Málaga (Andaluzia), onde ele vive em um abrigo para refugiados, Ali recebe ajuda da filial local da federação homossexual Colegas. "Somos sua nova família e o ajudaremos, repassando-lhe o total arrecadado com a loteria que organizamos tradicionalmente no Natal", revela seu presidente, David Cedeno. Em 2 de janeiro de 2010, Ali estará livre. "Após 36 anos de prisão", ele suspira. Livre, e em busca de emprego e moradia.

Tradução: Lana Lim

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