UOL Notícias Internacional
 

19/12/2009

Copenhague: na direção de uma simples declaração política?

Le Monde
Hervé Kempf
Enviado especial a Copenhague (Dinamarca)
Para a outra cúpula de Copenhague, a alternativa, é hora de fazer o balanço. A mobilização iniciada há meses pelos ecologistas dinamarqueses e pelas duas coalizões Climate Justice Now e Climate Justice Action deu seus frutos: a maior manifestação já organizada a respeito do clima, em 12 de dezembro, teria reunido mais de 50 mil pessoas nas ruas de Copenhague.

As manifestações de 16 de dezembro, sob a palavra de ordem "Reclaim the Power" ("Retomem o poder"), perturbaram a conferência oficial; milhares de militantes de todos os países se encontraram na capital dinamarquesa para elaborar estratégias de ação.

Dez anos após a "batalha de Seattle", durante uma cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), Copenhague marca um renascimento da contestação. "O movimento da justiça climática está se constituindo e se instalando," observa Nicolas Haeringer, do Movimento por uma Alternativa Não Violenta. "Ele se forma sobre uma aliança mais ampla que o altermundismo, porque absorve os ecologistas e os autônomos".

Nova geração
"Isso se tornou possível por causa dos ecologistas dinamarqueses que lançaram o Klimaforum (contra-cúpula)," observa Tord Björk, um militante sueco. "Eles são voltados para uma ecologia prática, mas têm o espírito aberto: eles souberam integrar a questão social, a das mulheres, e quiseram uma base democrática".

Outra aproximação: "Trabalhamos muito bem com os movimentos do hemisfério Sul", diz Rebecca William, porta-voz da Climate Justice Action.

O movimento da justiça climática também acompanha a chegada de uma nova geração na política: "A ecologia é popular nesta geração", diz Rebecca William. "Nós é que viveremos a crise climática em toda sua intensidade. Além disso, nosso movimento é horizontal, sem hierarquia, confiamos nos indivíduos, isso empolga os jovens".

Na essência, Copenhague consagra a unificação da crítica social e do questionamento ecologista. A "declaração popular do Klimaforum", adotada durante a cúpula, afirma que a mudança climática resulta "de um sistema econômico global" baseado na "apropriação dos recursos planetários, locais e nacionais pelas elites". Ela condena "uma elite global privilegiada envolvida em uma produção extrema motivada pelo lucro e em um escandaloso superconsumo".

Frente a essas novas formas de contestação, as autoridades buscam por respostas. Em novembro o governo dinamarquês votou uma lei que permitia as averiguações preventivas e flexibilizava o controle judiciário.

Centenas de averiguações foram feitas pela polícia dinamarquesa durante a conferência. Diversos porta-vozes do movimento da justiça climática continuavam presos, na sexta-feira (18), por "incitação à violência".

Para Dorothy Guerrero, militante filipina, "muitos de nós temos o costume de ver isso em nossos próprios países, mas para um país que tem uma reputação democrática como a Dinamarca, é realmente chocante".

Tradução: Lana Lim

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