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20/12/2009

Armas cada vez mais sofisticadas chegam a cidades francesas

Le Monde
Isabelle Mandraud
A morte de Amar, 12, abatido durante um tiroteio num bairro de Lyon no domingo (13), relançou o debate sobre a circulação de armas de fogo na França. "Este drama coloca a questão do tráfico de armas", declarou o ministro de Interior, Brice Hortefeux, ao visitar o local.

A regulamentação, acrescentou ele, "tornou-se ineficaz porque é muito minuciosa para as pessoas honestas e impotente em relação aos traficantes". O fenômeno parece, contudo, difícil de compreender, e as apreensões policiais, fora algumas buscas nas casas de colecionadores, são poucas.

Em 1º de dezembro, uma reunião, dirigida por Frédéric Veaux, número dois do departamento central da polícia judiciária, que possui um grupo especializado sobre a questão das armas, reuniu representantes dos principais serviços de polícia (informação interna, segurança pública, polícia de fronteira, entre outros), das alfândegas, e até da defesa.

Há alguns meses nasceu assim um "escritório de ligação das armas" que, depois de um primeiro encontro em junho sobre o tráfico proveniente dos Bálcãs, voltou-se desta vez para as armas nos subúrbios.

Fenômeno limitado
Num recado resumido transmitido ao departamento geral da polícia nacional, o grupo observou o pequeno número de investigações em relação ao tráfico de armas nas cidades. "Nós constatamos o surgimento de armas cada vez mais sofisticadas, mas a situação não é dramática em termos de tráfico", confirmou Christian Lothion, diretor central da polícia judiciária. Isso não faz parte da economia subterrânea, mas sim do conjunto. O maior tráfico, nas cidades, continua sendo o de drogas".

As armas não representam um comércio: elas são complementares ao tráfico de drogas, uma vez que sua finalidade é protegê-lo. Elas mudam de mãos, ao sabor das oportunidades e das redes, para ter um território.

Num contexto de violência cada vez maior, os traficantes passaram do fuzil à pistola-metralhadora, observa a polícia, que enfatiza também que a chegada de estoques de armas de guerra vindas dos Bálcãs foi claramente reduzida em relação ao final dos anos 90. "Os Kalachnikovs que circulam hoje entraram no território já faz algum tempo."

Os raros dados disponíveis mostram um fenômeno limitado, porém em progressão. Em um ano, de dezembro de 2008 a novembro de 2009, as infrações ligadas ao porte e à detenção de armas proibidas, de acordo com os números da polícia e da gendarmeria analisados pelo Observatório Nacional da Delinquência (OND), passaram de 29.932 para 32.410, ou seja, um aumento de 8,3%.

"Esse indicador não compreende as infrações cometidas com armas e associadas a motivos mais graves como os homicídios ou os roubos à mão armada", afirma Cyril Rizk, responsável pela estatística na OND. Nesta última categoria, a tendência é mais inquietante.

A OND enfatiza que o número de roubos violentos com armas de fogo é bem menor do que o de roubos violentos sem armas - uma vez que eles representam apenas 6,3% do conjunto de roubos cometidos com violência -, mas subiram, em um ano, 21,8% (7.200 fatos comprovados).

Os pequenos roubos contra lojas de bairro, padarias, mercearias, postos de gasolina, explicam em grande parte esta mudança. Ou, nesse domínio, quase metade das armas apreendidas, de acordo com a divisão de informação geral, tratava-se de armas falsas.

As investigações da OND, realizadas com o Insee, mostram que as infrações violentas com armas são muito raras. "A violência com armas de fogo é uma questão estatisticamente menor", afirma M. Rizk.

Três pesquisadores do Centro de Pesquisas Sociológicas sobre o Direito e as Instituições Penais (Cesdip-CNRS) publicaram um texto no qual protestam contra o "alarmismo" provocado por uma série de notícias sensacionalistas.

Laurent Mucchielli, Lisa Miceli e Sophie Nevanen, que denunciam os "discursos e extrapolações", acrescentam ao debate dois elementos destinados a relativizar o fenômeno das armas ilegais apreendidas na França: as investigações das vítimas e as estatísticas médicas em relação aos mortos a balas, "estão em queda nos últimos vinte anos".

Tradução: Eloise De Vylder

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