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22/12/2009

Algumas gigantes chinesas começam a rivalizar com as multinacionais

Le Monde
Le Monde
Brice Pedroletti
Em Xangai (China)
O primeiro-ministro francês iniciou, na segunda-feira (21), uma viagem de dois dias pela China para reaquecer as relações políticas com Pequim e estreitar os laços econômicos. François Fillon deveria participar da assinatura de contratos no setor de energia nuclear, e da oficialização do acordo que permitirá que a Safran (associada à General Electric) forneça os motores do avião chinês C919, um contrato de 5 bilhões de dólares (cerca de R$ 9 bilhões).
  • AP

    François Fillon (e) durante visita para estreitar os laços econômicos com a China

Esse avião chinês foi concebido pela Commercial Aircraft of China (Comac), empresa estatal criada em 2008 em Xangai, que certamente será um sério concorrente pra a Airbus e para a Boeing nas próximas décadas. A criação da Comac ilustra o surgimento, em alguns anos, de grupos chineses nos mercados dos países em desenvolvimento, como a China Railway Construction na África, ou de países desenvolvidos, como a Huawei, número dois do mundo em equipamentos de telecomunicação.

Essas empresas são concorrentes das multinacionais, e também constituem clientes importantes, como a Comac e todas as empresas ávidas por ascender na cadeia tecnológica. Elas se interessam pelas empresas ocidentais: a montadora Geely Automobile Holdings negocia a compra da Volvo com a Ford. A gigante petroleira China National Petroleum Corporation (CNPC) conseguiu a exploração de campos gigantes (Rumaila e Halfaya) no Iraque, dentro de dois consórcios com as ocidentais BP e Total.

A "China SA" ganha terreno no exterior na parte de investimentos: estes atingiram 52,1 bilhões de dólares em 2008 (fora o setor financeiro), o dobro de 2007. Em 2009, a China aproveitou a crise financeira para obter ativos no setor de energia e de matéria-prima. A Europa recebe uma fração modesta desses investimentos, em razão do papel mais limitado que as empresas estatais possuem lá.

Novos atores privados

A maioria das 37 empresas chinesas, que constam na classificação de 2009 dos 500 principais grupos mundiais elaborada pela revista "Fortune", são públicas. Mas novos atores privados estão surgindo. A Neusoft se tornou a principal fornecedora terceirizada chinesa de serviços de informática. Ela comprou da finlandesa Sesca as operações de desenvolvimento de programas para celulares, que empregam 250 pessoas na Finlândia e na Romênia.

A Alibaba, plataforma de comércio on-line que faz a ligação entre 43 milhões de compradores e vendedores pelo mundo, afirma que está preparando aquisições na Europa e nos Estados Unidos. Produto puro da globalização à moda chinesa, a AsiaInfo, listada na Nasdaq e dirigida por um sino-americano, Steve Zhang, ganha terreno: o colossal mercado de fornecimento de serviços e programas para as três operadoras chinesas lhe garante um tamanho crítico para sua expansão internacional.

O setor das energias renováveis traz outras surpresas: a empresa estatal Energy Conservation Investment Corporation acaba de obter 20 bilhões de yuans (cerca de R$ 5 bilhões) em créditos do Exim Bank chinês para sustentar sua expansão no exterior e investir em projetos solares na Espanha, na Itália e na Alemanha, segundo o "Asian Wall Street Journal", ao lado da Suntech, número dois do mundo em células fotovoltaicas. Na energia eólica, o crescimento da capacidade de produção chinesa permitiu que a Shenyang Power conseguisse um grande contrato para um parque no Texas.

A internacionalização dos grupos chineses tem seus conflitos. São muitos os fracassos, como a compra abortada da anglo-australiana Rio Tinto pela Chinalco. "Imagina-se que eles estão comprando o mundo. Eles não seguem essa lógica. Sua prioridade continua sendo o mercado chinês. Depois, há oportunidades de aquisições (matéria-prima, tecnologia) para servir suas ambições", analisa Charles-Edouard Bouée, presidente para a Ásia da consultoria em estratégia Roland Berger. "Mas eles têm muito pouca capacidade de projeção organizacional. Isso cria choques culturais. A gestão é muito centralizada, o diretor chinês é extremamente poderoso frente ao diretor internacional, por exemplo".

A consultoria publica todos os anos uma classificação dos vinte grupos chineses mais competitivos. Em 2009, duas empresas receberam prêmios especiais: a Gree, principal fabricante mundial de aparelhos de ar condicionado, se tornou a segunda maior marca no Brasil, com 500 lojas. E a ChemChina (Bluestar), que adquiriu a divisão de silicone da francesa Rhodia em 2006, e depois a especialista em nutrição animal Adisseo, em 2008. O sucesso da ChemChina com a Adisseo, segundo Bouée, "se deve ao fato de que elas mantiveram as equipes".

Tradução: Lana Lim

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