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22/12/2009

Em busca do bode expiatório de Copenhague; Lula culpa os EUA e cobra comprometimento

Le Monde
Le Monde
Três dias após o penoso encerramento das negociações em Copenhague, as delegações presentes na cúpula sobre o clima começam a falar. Criticadas durante a conferência, Pequim e Washington tornam a se encontrar no centro de todas as polêmicas.

Primeiro a se manifestar, na segunda-feira (21), o presidente Lula acusou os Estados Unidos de serem em parte responsáveis pelo fracasso da conferência, por não se comprometerem o suficiente em reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.
  • Reuters - 18.12.2009

    Primeiro a se manifestar, o presidente Lula acusou os Estados Unidos de serem em parte responsáveis pelo fracasso da conferência, por não se comprometerem o suficiente em reduzir suas emissões de gases do efeito estufa

"Os Estados Unidos propõem uma redução de 4% em relação à data fixada pelo protocolo de Kyoto (em 1990). É muito pouco", afirmou o presidente em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente". Segundo ele, com essa posição, os Estados Unidos levaram outros países a evitar qualquer "comprometimento com objetivos [de redução de CO2] e qualquer comprometimento financeiro". O Brasil, um dos principais emissores de gases de efeito estufa, se comprometeu voluntariamente em Copenhague a reduzir pelo menos 36% de suas emissões de CO2 em relação às previsões de 2020, mas considera que cabe aos países ricos financiar o esforço dos países pobres.

À noite, a diplomacia cubana também se empenhou em fazer de Washington a principal responsável pelo fracasso de Copenhague. Em Havana, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, considerou "imperialista e arrogante" a atitude do presidente Barack Obama na cúpula, e acusou a delegação britânica de ter se unido a ele no "papel de carrasco". "Durante essa cúpula, houve somente um Obama imperialista, arrogante, que não escuta, que impõe e que ameaça os países em desenvolvimento", declarou o ministro durante uma coletiva de imprensa dedicada exclusivamente a Copenhague, antes de chamar a cúpula de "fracasso" e de "farsa". Rodríguez também afirmou que os britânicos haviam feito uma "chantagem vergonhosa" com alguns países pobres.

Acusado, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown mencionou um "punhado de países", sem citá-los, que teriam tomado as negociações "como reféns". "Nós não permitiremos que alguns países nos impeçam de avançar", disse o chefe do governo britânico por meio de videoconferência, sem designar os Estados que tinha em mente. "O que aconteceu em Copenhague foi um processo de decisão cheio de falhas". O secretário britânico para Mudança Climática e Energia, Ed Miliband, critica especificamente a China por ter impedido um entendimento em Copenhague sobre objetivos de redução das emissões de gases do efeito estufa. Além disso, segundo seus colaboradores, Ed Miliband estima que o Sudão, a Venezuela, a Bolívia, a Nicarágua e Cuba também têm sua parte de responsabilidade na incapacidade da comunidade internacional de chegar a um verdadeiro acordo em Copenhague. Durante a cúpula, a França também havia evocado o papel negativo de Pequim, e a secretária de Estado para a Ecologia Chantal Jouanno lamentou a "atitude totalmente fechada da China" nas negociações.

Para tentar reverter a tendência, foi o próprio primeiro-ministro chinês que defendeu suas posições. A China "teve um papel importante e construtivo no avanço das negociações de Copenhague para chegar aos resultados atuais", declarou Wen Jiabao em uma entrevista para a agência oficial de notícias Xinhua. Segundo trechos da entrevista publicados no site do ministério chinês das Relações Exteriores, o chefe do governo garante que seu país "demonstrou a maior sinceridade e empregou todos seus esforços".

O único a comemorar o resultado da cúpula, o presidente boliviano Evo Morales, declarou no domingo que a conferência havia resultado em um "fracasso", mas celebrou o fato de que a "hegemonia" exercida, segundo ele, pelos grandes países industrializados, tenha sido rompida no decorrer das negociações. "Essa cúpula fracassou", avaliou o presidente Morales durante uma reunião com prefeitos em uma vila rural do sudeste da Bolívia. Ele ressaltou que os países industrializados haviam preparado um documento sem o consentimento de todos os países do mundo, o que havia causado críticas.

Jean-Louis Borloo, o ministro do Desenvolvimento Sustentável francês, questionou o funcionamento da ONU, em parte responsável, segundo ele, pelo fracasso da cúpula. "Me decepcionei um pouco com Copenhague", ele declarou à rádio RMC, condenando "esse sistema da ONU onde o clima é aparentemente tão pouco importante, que tudo é decidido por unanimidade". "Um sistema de consenso entre 192 participantes com pessoas que têm interesses tão divergentes e contraditórios, de qualquer forma, será preciso refletir sobre isso e ter regras de funcionamento diferentes", ele disse, ressaltando que "a ONU foi incapaz de apresentar qualquer documento". O ministro também criticou os Estados Unidos, dizendo que "a verdadeira dificuldade de Copenhague foi o bloqueio do Congresso americano, que impede o presidente Obama de ir mais longe".

Tradução: Lana Lim Lula acusa os EUA de serem em parte responsáveis pelo fracasso da conferência

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