UOL Notícias Internacional
 

23/12/2009

Em 2009, um festival de investimentos entre os países em desenvolvimento

Le Monde
Joël Ruet*
Durante o ano de 2009, enquanto os grupos ocidentais cortavam gastos para enfrentar a crise, seus concorrentes dos países emergentes continuaram seu trabalho de "aragne universelle" para atingir o "próximo milhão" de consumidores nos países do Sul, e reforçar sua superfície financeira.
  • Arquivo Folha Imagem

    Na empresa brasileira Gerdau, a joint-venture assinada na Índia com o grupo Kayani e as novas filiais no México e na Venezuela asseguram a rentabilidade do grupo

A Gerdau, gigante brasileira do aço com mais de 30 usinas, que realiza mais de 60% de seus negócios no exterior, havia começado sua expansão no Uruguai, Argentina, Chile e Colômbia, e havia criado desde 1999 uma filial norte-americana e espanhola, a Ameristeel. Mas é a joint-venture assinada na Índia com o grupo Kayani em 2007, assim como novas filiais no México e na Venezuela, que asseguram a rentabilidade do grupo.

A America Movil (México), formada em 2000 a partir de aquisições na América Latina, tornou-se a terceira maior fornecedora mundial de telecomunicações sem fio, e opera em 18 países.

A Orascom Telecom Holding (Egito) comprou operadoras de telefonia no mundo inteiro (Argélia, Paquistão, Zimbábue, entre outros) antes de adquirir a Wind, na Itália. Os resultados de 2009 são marcados pelo crescimento emergente.

As bases internacionais da Huawei, fabricante de equipamentos tecnológicos chinesa, ficam no Zimbábue - em troca, a China obteve acesso privilegiado aos hidrocarbonetos. A Huawei reproduziu seu "knowhow" na Argélia e em toda a África. Outra chinesa do setor, a ZTE, tem o mesmo modelo: mais da metade das vendas acontece fora da China, com 140 filiais e sete centros de pesquisa e desenvolvimento fora das fronteiras do país.

A Bajaj, fabricante indiana de motos, foi implantada nas Filipinas, na Colômbia e em outros pequenos mercados da África, através de distribuidores locais. A Chery, a mais jovem fabricante de automóveis chinesa, já está em 4º lugar no país por ser a principal exportadora, presente em cerca de 50 países, e com fábricas na Indonésia, Rússia, Irã, Uruguai e Egito.

Estas implantações, permitindo ao mesmo tempo a conquista dos mercados locais, preparam o futuro tecnológico. A siderúrgica chinesa Baosteel aliou-se à mineradora brasileira Vale para construir uma usina de ponta no Brasil, que permitirá a ela aumentar a qualidade na indústria automobilística, sobretudo como fornecedora oficial da Fiat na China e da Shangai Automotive Industries Corporation (Saic). A indiana Tata Motors, para digerir sua compra da Land Rover, reforçou-se com duas joint-ventures rentáveis com a Thonburi (Tailândia) e Marcopolo (Brasil).

A chinesa Zhenhua Port Machinery Company, que detém dois terços do mercado mundial de guindastes e gruas portuárias, está se diversificando para a exploração de petróleo no mar.

A proximidade dos mercados ocidentais também conta, uma vez que ela permite reduzir os ciclos de criação de produtos, fator-chave do sucesso na moda, nos equipamentos leves e serviços. A Infosys, SSII indiana, tem centros de desenvolvimento na República Tcheca, nas Filipinas, no México e na China. A Genpact, sociedade indiana de serviços de alta tecnologia para empresas, tem filiais na Hungria, Polônia, Romênia e México. A chinesa Lenovo, 4ª fabricante mundial de PC s, monta os computadores nas regiões em que eles são vendidos (México, Estados Unidos, Índia, Polônia).

Por fim, símbolo da globalização norte-americana, o McDonald's atua na Rússia ao lado da gigante agroalimentar brasileira Sadia, presente em sete países, líder no Oriente Médio, e sócia local da líder russa dos nuggets, a Miratorg.

*Joël Ruet, pesquisador CNRS, dirige o Observatório dos Emergentes.

Tradução: Eloise De Vylder

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