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24/12/2009

A França pede à ONU que aja contra os responsáveis pelos massacres de Conacri

Le Monde
O embaixador adjunto da França para a ONU pediu, na quarta-feira (23), ao Conselho de Segurança, que agisse rapidamente para processar os responsáveis pelo massacre de 28 de setembro em Conacri (capital da Guiné), classificado como "crime contra a humanidade" em um relatório da ONU. "Deve-se recorrer ao Tribunal Penal Internacional. A impunidade não pode ser uma opção", ele declarou.

Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores guineano havia criticado a "ingerência inaceitável" de Bernard Kouchner nos assuntos guineanos. O chefe da diplomacia francesa "associou a volta do chefe de Estado guineano para seu país a uma ameaça de guerra civil. Uma declaração como essa, por parte do ministro das Relações Exteriores de um país soberano em relação ao chefe de Estado de outro país soberano, espanta, choca e causa indignação", declarou o ministro guineano, Alexandre Cécé Loua, lamentando declarações que "prejudicam aquilo que o povo [guineano] tem de mais caro: sua dignidade".

O chefe da junta, o capitão Moussa Dadis Camara, ainda está hospitalizado em Rabat, quase três semanas após ter sido ferido a tiros por seu ajudante de ordens em Conacri. Bernard Kouchner havia afirmado, na terça-feira, diante dos deputados franceses, que seria melhor que "Dadis Camara permanecesse em seu leito no Marrocos e não voltasse" para a Guiné, "pois ele seria capaz - só com a sua volta - de desencadear uma guerra civil, e não precisamos disso".

"Será que a declaração de Bernard Kouchner teria por objetivo preparar a opinião pública para uma guerra civil, cujas origens e consequências o chefe da diplomacia francesa certamente conhece?", questionou Alexandre Cécé Loua. "Será que Bernard Kouchner colocará em prática seu plano B, que consiste em preparar o desencadeamento de uma guerra civil?", ele acrescentou, antes de afirmar: "Os guineanos não querem que a Guiné seja uma nova Ruanda ou uma futura Kosovo".

O ministro francês se manifestou após a publicação de um relatório da comissão de investigação da ONU sobre o massacre de opositores pelas forças de segurança guineanas no dia 28 de setembro em um estádio de Conacri, que acusa as mais altas autoridades guineanas de crimes contra a humanidade. O relatório detalha as atrocidades cometidas e dá um balanço de no mínimo "156 mortos e desaparecidos" e "pelo menos 109 mulheres" vítimas de estupros e violência sexual.

A junta guineana comemorava na quarta-feira o primeiro aniversário de sua chegada ao poder. O capitão Camara foi levado ao poder pelo exército em 23 de dezembro de 2008, no dia seguinte à morte do ditador Lansana Conté (1984-2008).

Tradução: Lana Lim

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