UOL Notícias Internacional
 

08/01/2010

Da repressão antiterrorista à repressão antidemocrática no Iêmen

Le Monde
Franck Mermier
Em 2010, Ali Abdallah Saleh comemorará seus 32 anos à frente do Estado iemenita. Desde 1990, com a unificação do país, seu poder se estendeu até as províncias do Sul que, após a retirada das tropas britânicas, em 1967, foram reunidas em uma República democrática e popular do Iêmen governada por um regime socialista e aliado da URSS.

Localização do Iêmen

A constituição da unidade, adotada por referendo em 1991, estipulava o multipartidarismo, organizava um sistema eleitoral e afirmava o pluralismo da imprensa. Foi assim que, em contraste com seus vizinhos, o Iêmen, única república na península Arábica, viu florescer uma vida associativa e política rica pela diversidade de suas particularidades regionais, por suas diferentes tradições históricas e por suas influências ideológicas que iam do marxismo ao islamismo, em suas inúmeras variantes.

Isso se devia à necessidade da coexistência de dois antigos partidos, o Congresso Geral do Povo no Norte e o Partido Socialista no Sul, que dividiram o poder entre 1990 e 1994, mas também por causa da força da União Iemenita para a Reforma, um partido islâmico por muito tempo aliado ao regime de Saleh.

Desde 2000 e o atentado contra o navio de guerra americano USS Cole no porto de Áden, as mídias do mundo inteiro só se interessam pelo Iêmen através do prisma da Al Qaeda. A ascendência iemenita da família Bin Laden, originária de Hadramaute, a nacionalidade iemenita de inúmeros prisioneiros de Guantánamo e os atentados subsequentes contra turistas e embaixadas ocidentais nesse país reforçaram esse fenômeno.

O Iêmen hoje figura, ao lado da Somália, do Afeganistão e de zonas tribais do Paquistão, como uma referência da Al Qaeda. Os especialistas nesse "polvo" agora são convocados a avaliar, diante das câmeras, o potencial de periculosidade do monstro que hoje estende sua sombra entre o golfo de Áden e a fronteira saudita-iemenita. O regime de Sanaa aproveitou a ocasião da "luta contra o terrorismo" para reprimir, de maneira violenta, todas as suas oposições. Tanto a rebelião zaidita no Norte quanto o movimento separatista no Sul, do qual uma minoria condena o uso da luta armada, mas também os partidos da oposição ou militantes da "sociedade civil" que lutam contra a corrupção, o lucro generalizado, a restrição do espaço democrático, as prisões arbitrárias e os atentados à liberdade de imprensa. E estes são muitos. Eles aumentam à medida que a ameaça da Al Qaeda cresce, e que, consequentemente, aumenta a impunidade internacional do regime.

O mais recente exemplo é o jornal "Al-Ayyam", cuja publicação foi proibida em maio de 2009, mesmo destino de outros jornais. Esse jornal independente dirigido por Hisham Bashrahil, cujo pai foi o primeiro prefeito de Áden na época britânica, se tornou a principal tribuna de reivindicações dos habitantes do Sul, sem no entanto tomar partido da opção separatista, e se apresentando como "a voz dos sem-voz" em escala nacional. Fechado após a independência do Iêmen do Sul, ele reapareceu em Áden em 1990. Em 2001, ele era um dos jornais mais difundidos em todo o Iêmen, com 64 mil exemplares por dia, sendo um terço em Áden. Alvo de inúmeros processos, o proprietário do jornal também foi vítima de muitas tentativas violentas de intimidação, a última tendo sido o ataque, em 4 e 5 de janeiro de 2010, à sua casa em Áden. Houve muitas vítimas entre os agressores pertencentes aos serviços de segurança do regime e os vigias da casa. Bashrahil e seu filho Hani foram presos.

Esse novo exemplo da violenta repressão que atinge os opositores pacíficos do regime Saleh mostra claramente que este se sente em toda a liberdade para restringir ainda mais o resto de vida democrática que a sombra de Bin Laden e a indiferença internacional poderiam conseguir sufocar.

Tradução: Lana Lim

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