UOL Notícias Internacional
 

09/01/2010

Espanha vive uma forte queda na imigração

Le Monde
Jean-Jacques Bozonnet
Em Madri (Espanha)
Tranquilidade nas águas das ilhas Canárias. Faz quase três meses que a guarda costeira do arquipélago espanhol não vê chegar um cayuco, essa frágil embarcação onde geralmente se amontoam os migrantes clandestinos saídos das costas africanas com destino à Europa. Segundo estatísticas publicadas no sábado (2) pela administração das ilhas Canárias, o número registrado de pessoas que chegaram em 2009 é o mais baixo em dez anos. No total, 2.242 pessoas entraram no arquipélago nos doze últimos meses, contra mais de 9 mil em 2008, que já marcava uma nítida queda. Em 2006, o ano recordista, as autoridades canárias tiveram de enfrentar um afluxo de 31.600 recém-chegados.

Claro, os traficantes de seres humanos parecem estar experimentando novos itinerários, uma vez que as embarcações improvisadas agora chegam em maior número (4.200 em 2009) na costa andaluza, especialmente na região de Alicante. Segundo o jornal "ABC", a guarda civil espera por uma intensificação de desembarques após 15 de janeiro, com a melhora das condições meteorológicas no Mediterrâneo.

Entretanto, o número total de clandestinos que chegaram à Espanha em 2009 teria caído pela metade em relação a 2008 (cerca de 7 mil no lugar de 14 mil). "Depois de ter passado por anos extraordinariamente difíceis, estamos vencendo a luta contra a imigração ilegal", comemora o chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero.

Extinção de empregos
A grave crise econômica pela qual o país passa há quase dois anos, com quase 4 milhões de desempregados, explica em parte essa impressionante queda. Os imigrantes, estivessem eles em situação regular ou não, foram os primeiros a serem atingidos pela extinção de empregos. Mas para o governo espanhol, a diminuição é sobretudo fruto de sua "política global" de imigração: "A Grécia vive uma situação econômica pior do que a nossa, e assim mesmo ela está sujeita a uma forte pressão migratória", observa o ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos.

O reforço dos meios de combate contra a imigração clandestina, seja pelo sistema de radares implantado por Madri, seja pelas patrulhas da agência europeia Frontex, foi complementado por acordos de cooperação com os países africanos de origem. Alguns dias atrás, as autoridades da Mauritânia interceptaram um cayuco que levava 17 clandestinos a bordo, tendo como destino as Ilhas Canárias. E o chefe da diplomacia espanhola cita como exemplo a colaboração com Dacar: "Em 2008, 3 mil clandestinos chegaram às Ilhas Canárias a partir do Senegal, mas nenhum em 2009".

Todas as sextas-feiras, os ministros espanhóis interessados se reúnem para um acompanhamento semanal dos fluxos migratórios: "Não se pode baixar a guarda, pois a problemática da imigração continuará a existir", adverte Moratinos. Madri pretende aproveitar seu sucesso na questão para "reforçar e desenvolver uma política orquestrada de imigração da União Europeia.

O controle da imigração clandestina, mas também a proteção dos menores estrangeiros desacompanhados e a integração dos trabalhadores imigrantes serão os principais projetos que a Espanha quer propor a seus parceiros durante a cúpula informal dos ministros da Justiça e do Interior da União Europeia, de 20 a 22 de janeiro em Toledo.

Tradução: Lana Lim

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