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14/01/2010

Na Áustria, a extrema direita ataca Viena nas eleições locais

Le Monde
Joëlle Stolz
Em Viena (Áustria)
"Nós queremos o poder. Queremos nos tornar o número um. A Áustria em primeiro lugar!" Com sua voz rouca após duas horas de discurso, um olhar azul e o sorriso matador, Heinz-Christian Strache conclui em tom de desafio o "encontro de Ano Novo" do Partido Austríaco da Liberdade, o FPÖ, uma das forças ascendentes da extrema direita na Europa.

Heinz-Christian Strache



As pesquisas lhe dão entre 22% e 24% dos votos, duas vezes mais do que os Verdes. E o abismo não parece mais tão intransponível entre o FPÖ e seu principal rival junto às camadas populares, o Partido Social-Democrata SPÖ, que caiu para menos de 30%.

Sentadas no centro das conferências de Viena, no domingo (10), 4.000 pessoas agitaram pequenas bandeiras brancas e vermelhas, as cores nacionais. O espetáculo começou com espirais de fumaça dignas de um show em Las Vegas, marcado pelos acordes de "Carmina Burana" de Carl Orff e pelas melodias do "Danúbio Azul". Ele termina com o hino austríaco. O FPÖ se apresenta como "o partido social patriótico". Para melhor defender a "civilização ocidental", ameaçada por uma "islamização" crescente, seus militantes exigem, a exemplo da Suíça, que se proíba a construção de minaretes.

O público é uma mistura de senhores de casacos de lã e jovens trabalhadores de jaqueta, com argolas nas orelhas. Também vemos mães que zelam por seus bebês adormecidos. Strache é aplaudido quando lembra que, na capital, 65 mil mulheres criam sozinhas seus filhos. Mas ainda mais quando ele menciona as quadras de recreação onde, segundo ele, os raros jovens austríacos "nem ousam falar alemão". Ele diz que é hora de pôr um fim a essa "contra-sociedade" que o atual prefeito de Viena, o social-democrata Micahel Häupi, deixou prosperar durante os dezesseis anos que está no comando da capital, onde um terço da população vem de outros países - sobretudo da Turquia, da Europa Central e da ex-Iugoslávia.

Assim como na Viena do início do século 20, que se sentia invadida pelos imigrantes judeus ou eslavos vindos do Leste, o cenário está plantado sobre um confronto entre uma direita xenófoba e uma esquerda na defensiva. Três eleições regionais são previstas para este ano na Áustria, mas a "mãe das batalhas" acontecerá em 10 de outubro em Viena: o SPÖ de Häupl certamente perderá a maioria absoluta ali, ao passo que o FPÖ tem chances de se tornar a segunda maior força da capital, à frente dos democratas-cristãos do Partido do Povo ÖVP.

Com seu ar jovial e uma propaganda que seduz os adolescentes (o direito de voto foi reduzido para 16 anos), Strache, 40, se afirma como herdeiro de Jörg Haider, morto em 2008. A minoria radical do partido que este último havia fundado em 2005, a União para o Futuro da Áustria (BZÖ), e que só sobrevive em seu domínio no Estado de Caríntia, decidiu se reconciliar com o FPÖ.

O FPÖ mexe seus peões, tanto do sindicalismo operário como o da representação de pequenas empresas na câmara patronal de Viena. "Mas temos dificuldade em montar uma lista", suspira Rudolf Schmidhofer, um empresário. "Votar na FPÖ é como se masturbar: todo mundo faz, mas ninguém tem coragem de admitir!" De saia rodada e corselete, a loira que dirige a União Familiar do partido na Baixa-Áustria, Elke Nacht se revolta contra o projeto social-democrata de tornar obrigatório o jardim da infância a partir dos 3 anos para acelerar a integração lingúistica das famílias de imigrantes.

A questão dos imigrantes determinará o destino político e econômico da Áustria pelos próximos vinte anos, observa o colunista Hans Rauscher no jornal liberal "Der Standard". Pois se o país não fizer um verdadeiro esforço para integrá-los, ele estará sujeito a viver "o triunfo dos extremistas de direita", cujos argumentos são retomados pelos partidos clássicos.

Em Salzbugo, os dirigentes do SPÖ fecharam aos estrangeiros os asilos de idosos, ao passo que no leste, o governador social-democrata de Burgenland (1,6% dos delitos cometidos na Áustria) comemora o fato de que o exército patrulha as ruas para tranquilizar os cidadãos. O SPÖ se recusa a aceitar em "suas" terras um novo centro de recepção para os solicitantes de asilo, que a ministra do Interior, a conservadora Maria Fekter, quer lhe impor. Assumindo seu papel de "durona", na esperança de que o ÖVP consiga com isso benefícios eleitorais, Fekter acaba de propor que os solicitantes sejam confinados durante um mês nos centros. A partir de 1º de janeiro as regras do direito de asilo foram endurecidas.

Tradução: Lana Lim

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