UOL Notícias Internacional
 

15/01/2010

"Caluniados" e "satanizados", intelectuais renomados apoiam a direita no Chile

Le Monde
Christine Legrand Enviada especial a Santiago do Chile
Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial no Chile, no domingo (17), uma votação que promete ser acirrada, intelectuais renomados levaram seu apoio ao candidato de direita Sebastián Piñera, favorito nas pesquisas de opinião. Os escritores chilenos Jorge Edwards e Roberto Ampuero, que no passado apoiavam a "Concertação", coalizão de centro-esquerda no poder desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), anunciaram que eles votariam em Piñera. Mas o maior partidário é o escritor peruano Mario Vargas Llosa. Ele veio a Santiago do Chile, convidado pelo candidato de direita. "O triunfo de Piñera será uma grande data na história da América Latina", afirma o romancista, que está hospedado na casa da família Piñera, no bairro residencial de Las Condes.

Um "anti-Chávez"
Candidato liberal derrotado à presidência do Peru em 1990 por Alberto Fujimori, Vargas Llosa diz ainda, em entrevista concedida ao jornal conservador "El Mercúrio", que Piñera representa "uma direita moderna, democrática e liberal que não tem nada a ver com a direita militarista, golpista e antidemocrática".

  • EFE e AP

    À esquerda, Sebastián Piñera cumprimenta eleitores; à direita, Eduardo Frei mostra o seu
    dedo manchado de tinta, após votar no 1º turno das eleições chilenas em dezembro de 2009



Mario Vargas Llosa vê em Piñera um "anti-Chávez", presidente da Venezuela. Ele cita entre os países "muito interessantes" da América Latina o Brasil e o Uruguai, "onde governos de esquerda aplicam uma política que não tem nada a ver com a esquerda".

Ainda que os intelectuais latino-americanos por muito tempo tenham sido mais atraídos para a esquerda, ele rejeita esse "monopólio". "Não ser de esquerda na América Latina obriga o escritor a lutar para responder às calúnias que o satanizam", ele garante. O escritor peruano foi vaiado por parte do público na inauguração do Museu da Memória em Santiago, em homenagem às vítimas da ditadura militar, no dia 11 de janeiro. Ele havia sido convidado para a cerimônia pela presidente socialista chilena, Michelle Bachelet, na condição de presidente de um projeto similar de museu no Peru.

Empresário bilionário, Piñera, que se apresenta como o candidato de uma direita moderada, tem uma vantagem de cinco pontos sobre seu adversário, segundo as últimas pesquisas. Ele se aliou à ultra-conservadora União Democrata Independente, que apoiou o regime de Pinochet. Mas sua capacidade de atração tem limites. A romancista Isabel Allende, sobrinha do ex-presidente Salvador Allende, deposto pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, levou seu apoio ao democrata-cristão Eduardo Frei, candidato de centro-esquerda.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h29

    -0,15
    3,174
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h35

    0,21
    68.117,09
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host