UOL Notícias Internacional
 

06/02/2010

A União Monetária em risco, o euro atacado

Le Monde
Claire Gatinois e Marie de Vergès

Dez anos após sua criação, estaria a zona do euro ameaçada de dissolução? Os mercados financeiros temem isso, preocupando-se com o déficit público que eles consideram injustificável de determinados países europeus. Após a Grécia ter sido foco de seus temores, a Espanha, Portugal e a Itália também se tornaram motivo de preocupações.

Na quinta-feira (4), as praças financeiras tiveram uma forte queda: -5,94% para a Bolsa de Madri, -5% para a de Portugal, enquanto as praças grega e italiana cediam 3,3% e 3,5%. Na sexta-feira, a queda continuava. Madri recuou 1,65%, e Lisboa mais 2%. As turbulências financeiras também se manifestaram sobre o mercado de câmbio. O euro afunda cada dia mais. Na sexta-feira, a moeda única valia US$ 1,36, um nível inédito em oito meses.

Desemprego chega a 10% na zona do euro

Os especialistas da empresa de investimentos Pimco agora aconselham a “se manter longe do euro”. E o dólar, que parecia ameaçado de queda, reencontra seu status de porto seguro. Alguns analistas de fato acreditam que o nível de endividamento atual na zona do euro não pode ser eliminado pelo crescimento esperado, frágil demais. A retomada poderá ser comprometida.

O nervosismo dos investidores também aparece no mercado de bônus soberanos desses países. Agora, a Grécia deve fazer empréstimos por 10 anos à taxa de 6,7%. Em outras palavras, o país causa tamanha desconfiança que ele deve pagar um prêmio de risco de 3,6% em relação à Alemanha, a referência do mercado. Na quarta-feira, Portugal, por sua vez, sofreu para atrair investidores o suficiente para sua última emissão de títulos.

Tom alarmista
Os dois países estão sob pressão das agências de classificação de risco. Segundo os rumores que agitam os mercados, a Fitch e a Moody’s poderão imitar a Standard&Poor’s que, desde dezembro de 2009, abaixou a perspectiva da dívida da Espanha de “estável” para “negativa”.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, tentou tranquilizar, afirmando, na quinta-feira, que as situações desses dois países “não são um risco”. Já Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), garantiu que não haveria “nenhuma exceção” às regras orçamentárias européias. Ele mostrou assim sua confiança na capacidade da Grécia e de outros países europeus em voltar rapidamente para dentro dos limites requeridos pelo pacto de estabilidade europeu. Os critérios de Maastricht estabelecem em 3% o nível máximo de déficit público e em 60% o do endividamento do Estado.

Mas essas declarações tranquilizadoras se opõem às do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, para quem “a maior dificuldade para a zona do euro é mais a Espanha do que a Grécia”. O mesmo tom alarmista se encontra na análise do economista americano Nouriel Roubini: “Se a Grécia é um problema, a Espanha poderá ser um desastre, porque ela é a quarta economia da zona”, indicou.

“Certamente há um pouco de especulação”, acredita o economista Philippe Brossard, presidente da agência Macrorama, “mas esses temores são, no fundo, bastante legítimos”. Desde o início da crise, “não desinflaram a bolha do crédito, mas voltaram a inflá-la ao levar o fardo da dívida não mais aos agentes privados, e sim aos Estados”, diz.

Para sair da crise e evitar a catástrofe, os Estados de fato financiaram o salvamento de suas economias usando centenas de bilhões de dólares, euros ou ienes.

Para Brossard, o problema não está circunscrito à Europa, mas se estende assim a todos os países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. Ele observa que não é mais raro ver níveis de endividamento público atingirem 80% a 90% do Produto Interno Bruto (PIB), com déficits públicos da ordem de 6% a 7%.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) explica que o déficit global da zona do euro continua sendo inferior ao de outros países como os Estados Unidos ou o Japão.

“A realidade é que apesar de a catástrofe ter sido evitada, a economia ainda vai muito mal”, acredita o economista Jacques Attali. Segundo ele, passada a euforia, os mercados financeiros estão percebendo que “o crescimento não é estável”. “A crise não acabou”, conclui.

Tradução: Lana Lim

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